October 21, 2014 / 9:55 PM / 4 years ago

EUA restringem a 5 aeroportos entrada de pessoas de países atingidos por Ebola

NOVA YORK (Reuters) - Os Estados Unidos reforçaram suas salvaguardas contra o Ebola nesta terça-feira, exigindo que viajantes dos três países da África Ocidental onde está concentrada a epidemia viajem para um dos cinco grandes aeroportos que estão fazendo verificações para detectar o vírus.

Um agente da Guarda Costeira dos EUA mede a temperatura de uma passageira que esteve recentemente para Guiné, Libéria ou Serra Leoa, no Aeroporto Internacional Dulles, em Washington, nos Estados Unidos, na semana passada. 16/10/2014 REUTERS/Governo dos EUA/Josh Denmark/Divulgação

As restrições para passageiros cujas viagens se originem na Libéria, em Serra Leoa ou na Guiné foram anunciadas pelo Departamento de Segurança Interna e devem entrar em vigor na quarta-feira. As precauções não chegam à proibição total de viagens pleiteada por alguns congressistas norte-americanos para evitar novos casos de Ebola no país.

Os viajantes afetados terão suas temperaturas verificadas em busca de sinais de febre, que podem indicar uma infecção do Ebola, entre outros protocolos, nos aeroportos internacionais John F. Kennedy, em Nova York, Newark, em Nova Jersey, Dulles, em Washington, Atlanta e no O’Hare, em Chicago, disseram as autoridades.

“Estamos trabalhando com as companhias aéreas para implementar estas restrições com o mínimo de interrupção nas viagens”, afirmou o secretário de Segurança Interna, Jeh Johnson, em um comunicado. “Se não tiverem sido atendidos pelas empresas aéreas, os poucos viajantes afetados devem contactá-las para remarcações, na medida do necessário”.

Johnson afirmou que estes aeroportos respondem por cerca de 94 por cento dos viajantes que voam para os EUA a partir dos três países, destacando que não há voos diretos de Libéria, Serra Leoa ou Guiné ao território norte-americano.

As restrições se aplicam a todos os passageiros, incluindo cidadãos norte-americanos e aqueles que chegariam por terra ou mar.

A associação comercial Airlines for America, ou A4A, que representa as principais companhias aéreas do país e tem sede em Washington, observou que menos de 150 pessoas por dia viajam das três nações africanas rumo aos EUA, e cerca de seis por cento delas – aproximadamente nove por dia – têm chegado a outros aeroportos que não os cinco com medidas reforçadas para a detecção do Ebola.

A A4A está “cooperando totalmente” com a Agência de Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras para redirecionar estes seis por cento de viajantes para os cinco aeroportos designados, informou a porta-voz da A4A, Jean Medina.

Entre os membros da associação estão Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines, nenhuma das quais voa para os países afetados, mas pode levar passageiros destas localidades em voos de conexão.

PROIBIÇÃO E PREOCUPAÇÃO

Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada on-line e divulgada nesta terça-feira mostrou que quase três quartos dos 1.602 norte-americanos entrevistados são a favor de uma proibição em seu país a voos comerciais de e para Libéria, Serra Leoa e Guiné.

Um levantamento do instituto Gallup também desta terça-feira revelou que o Ebola se tornou um dos dez assuntos que mais preocupam os cidadãos dos EUA, mas continuou bem atrás de cinco outros tópicos: a economia, a insatisfação com o governo, os empregos, o sistema de saúde e a imigração.

Em Washington, alguns legisladores saudaram as novas medidas governamentais, enquanto outros disseram que é preciso fazer mais.

O senador democrata Charles Schumer, de Nova York, classificou a ação do Departamento de Segurança Interna como “uma medida boa e eficaz para apertar o cerco e proteger mais nossos cidadãos”.

O deputado republicano Bob Goodlatte, da Virgínia, que preside o Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados, disse que Obama precisa ir mais longe e impor a proibição de viagens, passo que o governo resistiu a adotar até agora.

Reportagem adicional de Gabriel Debenedetti e Susan Heavey, em Washington; de Michele Gershberg, em Nova York; de Jon Herskovitz, em Dallas; e de Manuel Jimenez, em Santo Domingo, República Dominicana

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