November 29, 2014 / 3:02 PM / in 4 years

Tribunal do Egito retira acusação contra Mubarak por morte de manifestantes

CAIRO (Reuters) - Um tribunal egípcio retirou as acusações contra o ex-presidente Hosni Mubarak pela morte de manifestantes na revolta de 2011 que terminou com seu governo de 30 anos e que simbolizava a esperança de uma nova era de abertura política e responsabilidade.

Mubarak, de 86 anos, foi condenado à prisão perpétua em 2012 por conspirar para assassinar 239 manifestantes, semeando o caos e criando um vácuo de segurança durante a revolta de 18 dias, mas um tribunal de apelações ordenou um novo julgamento.

Seus partidários comemoraram quando o veredicto deste novo julgamento, que também inocentou o ex-ministro do Interior Habib al-Adly e seis assessores, foi lido. Os réus negaram as acusações.

O tribunal afirmou que as acusações criminais nunca deveriam ter sido apresentadas contra Mubarak neste caso. No entanto, ainda cabe recurso, e o ex-líder não foi libertado porque cumpre uma pena de três anos em um caso separado de desvio de fundos.

A derrubada de Mubarak levou o país à primeira eleição livre, mas o vencedor, o islâmico Mohamed Mursi, foi deposto no ano passado pelo então chefe do Exército Abdelfattah al-Sisi, na sequência de protestos contra o seu governo.

Sisi, que ganhou uma eleição presidencial em maio, lançou uma ofensiva contra Mursi e sua Irmandade Muçulmana. Autoridades prenderam milhares de apoiadores da Irmandade e condenaram à morte centenas de pessoas em julgamentos coletivos criticados internacionalmente.

Em contrapartida, figuras da era Mubarak estão lentamente sendo inocentadas das acusações e uma série de leis que reduzem as liberdades políticas tem aumentando os temores entre ativistas de que a velha liderança possa estar recuperando influência.

O veredicto deste sábado foi visto por ativistas como o mais recente sinal de que os direitos conquistados em 2011 estavam sendo anulados.

“É um veredicto político. O Judiciário tem adiado (o julgamento) por quatro anos para que pudesse inocentá-lo no momento em que o povo tivesse perdido a esperança”, disse à Reuters o pai de Ahmed Khaleefa, de 19 anos, que foi morto em 2011, no lado de fora do tribunal.

“O veredicto nos atingiu como balas. Considero que meu filho Ahmed morreu hoje.”

Reportagem adicional de Mahmoud Mourad e Yusri Mohamed, em Ismailia

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