15 de Setembro de 2015 / às 21:09 / em 2 anos

Bovespa tem leve alta com bancos e Wall St, em meio à repercussão de pacote fiscal

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice acionário brasileiro fechou com leve alta nesta terça-feira, amparado principalmente no avanço de papéis de bancos, após sessão volátil em que agentes financeiros digeriram o pacote fiscal anunciado pelo governo na véspera.

O Ibovespa subiu 0,17 por cento, a 47.364 pontos. Na máxima, avançou 0,86 por cento e na mínima recuou 1,13 por cento. O giro financeiro totalizou 6,16 bilhões de reais.

Ganhos em Wall Street endossaram o fechamento positivo, com o S&P 500 avançando 1,28 por cento após dados fortes de vendas no varejo norte-americano, e em meio a expectativas com a decisão de política monetária do Federal Reserve nesta semana.

No Brasil, medidas de ajuste fiscal mais brandas para as empresas do que o esperado pelo mercado deram suporte aos papéis com peso relevante no índice, como bancos e Ambev, e impulsionaram MRV Engenharia.

Mas incertezas quanto a capacidade do governo federal de implementar o pacote de ajuste de 64,9 bilhões de reais, anunciado na véspera, adicionaram certa cautela, com o Ibovespa também pressionado pela queda dos papéis da Vale.

Para o BTG Pactual, o pacote fiscal anunciado pelo governo brasileiro “é claramente um passo na direção certa”.

“No entanto, o ambiente político se deteriorou tanto que a obtenção de apoio político às medidas que podem ser consideradas impopulares podem revelar-se um enorme desafio para o governo”, avaliaram os analistas do banco, em relatório a clientes.

A principal medida proposta pelo governo para reequilibrar as contas no próximo ano é a reintrodução da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), com uma alíquota de 0,2 por cento.

DESTAQUES

=ITAÚ UNIBANCO e BRADESCO subiram 2,46 e 1,92 por cento, respectivamente, enquanto BANCO DO BRASIL ganhou 3,63 por cento, após o anúncio de mudanças “menos nocivas” do que o esperado nas regras do mecanismo de Juros sobre Capital Próprio (JCP) de empresas. Para o Credit Suisse, embora a medida limite o montante de JCP que os bancos são capazes de distribuir aos acionistas e, portanto, deduzir da sua base de tributação, foi o “menor de dois males, pois é muito menos nocivo em comparação com a possibilidade de remoção dos juros sobre o capital”.

=AMBEV e TELEFÔNICA BRASIL, que também figuram na lista de maiores beneficiárias do mecanismo de JCP, avançaram 1 por cento, diante do anúncio melhor do que o previsto no mercado. Pela mesma razão, BM&FBovespa avançou 3,26 por cento.

=MRV ENGENHARIA subiu 3,92 por cento, diante da avaliação de que o pacote fiscal deve ter efeito limitado sobre o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), embora analistas ainda vejam riscos no horizonte para construtoras com exposição ao programa.

=EMBRAER ganhou 2,84 por cento, em meio à alta do dólar e após informar na segunda-feira que a companhia aérea norte-americana SkyWest assinou pedido firme para 18 jatos E175 com a fabricante de aeronaves brasileira por um valor estimado de 800 milhões de dólares. O Itaú BBA ainda elevou a recomendação de Embraer para “outperform”, assim como o preço-alvo para 34 reais, citando que o cenário para o câmbio compensa os riscos relacionadas à divisão de defesa da empresa devido ao difícil quadro fiscal do governo federal.

=PETROBRAS encerrou com as preferenciais em baixa de 0,91 por cento e os papéis ordinários em queda de 1,13 por cento, apesar do fechamento positivo dos preços do petróleo no exterior.

=VALE respondeu pelo principal peso negativo no Ibovespa, com recuo de 3,58 por cento nas preferenciais e de 2,87 por cento nos papéis ordinários, na esteira de nova queda dos preços do minério de ferro na China, em meio à persistente preocupação com a desaceleração da economia chinesa. BRADESPAR, braço de participações do Banco Bradesco e que tem fatia relevante na Vale, caiu 3,27 por cento.

=QUALICORP despencou 6,69 por cento, maior recuo entre as ações do Ibovespa. Analistas do BTG Pactual elogiaram em nota a clientes o desempenho operacional da empresa de planos de saúde, mas afirmaram ver um maior desafio para a perspectiva de crescimento da base da companhia no segundo semestre. Os analistas começaram a trabalhar com um cenário de perda líquida de usuários.

=COSAN caiu 2,38 por cento, uma vez que o pacote fiscal da véspera não incluiu elevação de Cide para combustíveis, que tem um efeito positivo na margem de preço do etanol. O Credit Suisse também destacou como relevante o impacto da CPMF, se aprovada, na Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, de 5 por cento do Ebitda e 12 por cento no fluxo de caixa, ponderando que o impacto consolidado na Cosan deve ser menor, mas ainda relevante.

=TIM PARTICIPAÇÕES perdeu 2,82 por cento, na contramão do setor de telecomunicações do Ibovespa, em dia de reunião do presidente da companhia, Rodrigo Abreu, com analistas em Nova York, onde ele afirmou que a operadora vai manter seu plano de investimento definido em reais, apesar da queda de mais de 30 por cento do real contra o dólar neste ano.

=TRACTEBEL recuou 2,32 por cento e registrou uma das maiores quedas do Ibovespa. O Credit Suisse publicou relatório trocando preferências no setor elétrico, no qual rebaixou a recomendação da ação para “neutra”, enquanto melhorou para “outperform” o rating da AES TIETÊ, que não está no Ibovespa e subiu 3,69 por cento, citando o desempenho relativo de ambos os papéis.

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