24 de Setembro de 2015 / às 17:43 / 2 anos atrás

Dilma defenderá reforma da ONU e medidas econômicas do governo em viagem a Nova York

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff irá cobrar, em seu discurso na abertura da 70ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), uma reforma ampla da instituição que dê mais poder à própria Assembleia Geral, mas também aproveitará a plateia internacional para mencionar os esforços que estão sendo feitos pelo Brasil para sair rapidamente da crise econômica.

Presidente Dilma Rousseff gesticula durante entrevista coletiva após evento no Palácio do Planalto, em Brasília. 02/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Dilma deve chegar na madrugada desta sexta-feira a Nova York --o horário de saída do Brasil ainda não está definido por conta das negociações sobre a reforma administrativa-- e já na manhã do mesmo dia assiste ao discurso do Papa Francisco na ONU. O discurso da presidente brasileira, que abre a Assembleia Geral, será na manhã da próxima segunda-feira.

De acordo com fontes do Palácio do Planalto, a economia não deverá ser a parte central da fala da presidente, que se centrará na reforma da ONU, no orgulho de o Brasil ter atingido antecipadamente as chamadas Metas do Milênio --com a redução da desnutrição, da mortalidade infantil e materna e dos avanços em educação-- e no engajamento nas Metas de Desenvolvimento Sustentável.

Ainda assim, Dilma irá aproveitar o fórum internacional para defender as medidas de ajuste que o Brasil está tomando e garantir que fará todo o possível para que o país saia rapidamente da crise.

A avaliação do governo é que tentar convencer o mercado externo da solidez da economia brasileira é tão ou mais importante do que acalmar o mercado interno, já que as impressões externas se refletem no país.

Nos últimos meses, a presidente deu entrevistas a órgãos financeiros internacionais e em Nova York há também previsão, ainda não confirmada, de que tenha conversas com a mídia.

Dilma iniciará sua fala com um tema recorrente na diplomacia brasileira, a reforma da ONU. No entanto, ao elogiar os 70 anos da instituição, o tom do discurso será uma cobrança mais ampla por reformas do que apenas a do Conselho de Segurança, com a qual o Brasil tem se debatido nas últimas duas décadas.

A presidente cobrará mais poder para a Assembleia Geral, afirmando que só uma Assembleia atuante será capaz de dar conta de temas da atualidade que estão sendo debatidos à margem da ONU, como a questão dos refugiados. A reforma, dirá Dilma, precisa ser ampla e envolver todas as instituições do sistema ONU para fazer jus ao mundo atual, 70 anos depois da criação das Nações Unidas.

Ao tocar na questão dos refugiados, a presidente irá reforçar o orgulho do Brasil ser um país mestiço, formado por imigrantes de todas as partes do mundo, e dirá que o país está de braços abertos para receber refugiados. Dilma reforçará a ideia de que essa mistura faz do Brasil um país melhor.

Ela ainda participará, na manhã de domingo, da sessão plenária da Conferência das Nações Unidas para a Agenda do Desenvolvimento Pós 2015, onde vai apresentar as metas de redução de emissão de gases do efeito estufa que o Brasil irá levar para a Conferência das Partes 21, em Paris, em dezembro deste ano.

A previsão é que a presidente volte ao Brasil ainda na segunda-feira.

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