9 de Outubro de 2015 / às 22:50 / em 2 anos

Governo busca diálogo com Cunha para conter ameaça de impeachment no Congresso, dizem fontes

BRASÍLIA (Reuters) - O governo está tentando um caminho mais político para lidar com a ameaça de impeachment e tenta abrir canal de diálogo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por meio do novo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, disseram à Reuters três fontes do governo federal.

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 06/08/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Um dia depois de tomar posse, Wagner procurou Cunha na terça-feira e foi à casa do presidente da Câmara para uma conversa privada, segundo as fontes. Uma das fontes disse que o governo considera importante conversar com Cunha mesmo com a intensificação das denúncias contra o deputado no âmbito da operação Lava Jato.

De acordo com as fontes, o diálogo não tratou explicitamente da possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff ou da análise das contas de 2014 do governo pelo Congresso, mas a conversa teve como objetivo criar uma ponte com o presidente da Câmara, que está rompido com o Palácio do Planalto desde julho.

Um dos interlocutores de Wagner ouvidos pela Reuters relatou, nesta sexta-feira, que o ministro disse que “prefere construir pontes do que ter de ir à nado depois”.

Wagner, conhecido por ser um político habilidoso e capaz de dialogar com diferentes forças políticas, também conversou com o vice-presidente Michel Temer e ainda procurou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

“O governo tem de conversar com o Cunha. Mesmo enfraquecido por conta das denúncias, ele tem força. Ele faz a agenda das votações na Câmara”, disse outra fonte, que também participa da articulação política do governo, fazendo referência às denúncias contra Cunha no âmbito da operação Lava Jato.

Uma terceira fonte do governo, com ótima interlocução no Congresso, avaliou, no entanto, que dificilmente a aproximação com Cunha dará resultado. O presidente da Câmara, disse a fonte, não está interessado em acordos com o governo e tem outras prioridades.

“Ele responsabiliza o Planalto pelas investigações em que está sendo acusado”, afirmou a fonte, que disse não ter nem segurança de que Cunha seguirá o script programado pela oposição de rejeitar o pedido de impeachment apresentado pelo jurista Hélio Bicudo para depois os oposicionistas apresentarem um recurso ao Plenário. A outra opção seria Cunha aceitar o pedido diretamente.

SEMANA DECISIVA

Cunha é o responsável direto por ditar o ritmo dos trâmites relativos às ações de impeachment que chegam ao Congresso, e tem influência sobre muitos parlamentares. Apaziguado, o presidente da Câmara pode dar mais tempo ao governo para se reorganizar e se defender.

Nos últimos meses, porém, Cunha não tinha mais interlocução com o Planalto, mesmo com uma tentativa da própria presidente de conversar com o deputado.    

A estratégia do governo é tentar evitar primeiro politicamente o avanço dos pedidos de impeachment no Congresso, sem ter de apelar para recursos jurídicos, que, ao menos no caso do julgamento das contas de 2014 pelo Tribunal de Contas da União (TCU), se mostraram infrutíferos.

Na reunião ministerial de quinta-feira, Dilma pediu atenção dos ministros a movimentos surpresa da oposição, enquanto o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, prometeu um roteiro de perguntas e respostas para municiar a base com instrumentos para defesa do governo.

Ao mesmo tempo, Dilma cobrou dos ministros soluções para nomeações e emendas paradas nos ministérios para tentar acalmar os parlamentares insatisfeitos.

A próxima semana pode acumular capítulos decisivos para o governo e o próprio Cunha no roteiro da crise política.

A expectativa é de que o presidente da Câmara se manifeste até o fim da semana sobre os pedidos de impeachment ainda pendentes.

Além disso, pode ser escolhido o relator na Comissão Mista de Orçamento (CMO) da análise da recomendação do TCU pela rejeição das contas do governo no ano passado, um dos campos de batalha em torno do impeachment da presidente.

Em relação a Cunha, o PSOL anunciou que irá apresentar na próxima terça-feira ao Conselho de Ética da Câmara representação contra o deputado depois que a Procuradoria-Geral da República confirmou, em resposta ao partido, a existência de contas na Suíça em nome do deputado e familiares.

Edição de Alexandre Caverni e Pedro Fonseca

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