15 de Outubro de 2015 / às 18:08 / em 2 anos

Vaga da Ucrânia no Conselho de Segurança da ONU gera atrito em potencial com Rússia

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Egito, Japão, Senegal, Uruguai e Ucrânia foram eleitos para ocupar vagas temporárias no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira, o que coloca Kiev em rota de colisão com a Rússia, membro permanente e com poder de veto.

Sessão do Conselho de Segurança da ONU, na sede da organização, em Nova York. 13/10/2015 REUTERS/Mike Segar

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia já prometeu que o mandato de dois anos de Kiev no Conselho não terá um tom conciliador.

Os 192 membros da Assembleia-Geral elegeram o Egito com 179 votos favoráveis, o Japão com 184, o Senegal com 187, a Ucrânia com 177 e o Uruguai com 185. Nenhum dos cinco teve opositores e substituem Chade, Chile, Jordânia, Lituânia e Nigéria no conselho a partir de 1º de janeiro de 2016.

O conselho é composto de 10 membros eleitos –cinco escolhidos a cada ano– e cinco permanentes com poder de veto: Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia. A entidade é o único organismo da ONU que pode tomar decisões cuja adoção é legalmente obrigatória.

Mais cedo nesta semana, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Pavlo Klimkin, descreveu a abordagem de Kiev para a Rússia como “definitivamente nada conciliatória... o membro permanente do Conselho de Segurança é um agressor na Ucrânia, conduzindo uma guerra híbrida contra a Ucrânia”.

A Rússia anexou a península da Crimeia, que pertencia à Ucrânia, em março do ano passado, o que deu início a combates entre rebeldes separatistas apoiados por Moscou e tropas do governo ucraniano no leste da Ucrânia. A trégua declarada na região praticamente se manteve durante o mês passado.

Mergulhado em um impasse, o Conselho de Segurança já realizou mais de 30 reuniões sobre a Ucrânia desde a tomada da Crimeia. O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, não quis comentar como Moscou irá interagir com Kiev no conselho.

Outro beco sem saída no organismo tem sido a busca de uma maneira de encerrar os quase cinco anos de guerra civil na Síria. A Rússia, amparada pela China, tem procurado proteger o presidente sírio, Bashar al-Assad, seu aliado, das ações propostas por EUA, Grã-Bretanha, França e outros.

Ainda não está claro como o Egito vai agir no Conselho de Segurança. As relações entre Washington e o Cairo esfriaram, e o governo do ex-general Abdel Fattah al-Sisi vem acenando para Moscou.

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