22 de Outubro de 2015 / às 12:41 / em 2 anos

Mídia italiana é tomada por teorias conspiratórias sobre história de tumor cerebral do papa

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Teorias de conspiração dignas de um romance de Dan Brown brotaram na mídia italiana nesta quinta-feira, com as acusações de que os inimigos do papa Francisco estavam tentando minar seu poder, depois que um jornal informou que ele tinha um tumor cerebral.

Papa Francisco durante missa na Praça de São Pedro, no Vaticano. 21/10/2015 REUTERS/Alessandro Bianchi

O Vaticano negou furiosamente a história publicada na quarta-feira, qualificando-a como irresponsável e imperdoável, mas em vez de o tema perder força, a saga se transformou em uma história de mistério no estilo capa e espada.

”Quem quer o papa morto“, diz a principal manchete do Il Giornale. Os jornais La Repubblica e La Stampa, ambos diários respeitados, escreveram sobre a ”sombra de um complô” em suas primeiras páginas.

A maioria das reportagens concluiu que a história era falsa. Mas, ao invés de descartá-la como um erro jornalístico, comentaristas e clérigos na terra que deu ao mundo Maquiavel, o mestre de astúcia política, passaram a examinar a intriga que está por trás da história do tumor.

O denominador comum é que os inimigos do papa dentro do Vaticano e da Igreja Católica querem enfraquecer sua autoridade, já que uma reunião crucial de bispos de todo o mundo sobre questões de família se aproxima do fim, no domingo.

Segundo o La Repubblica, o bispo argentino Victor Manuel Fernández teme uma “estratégia apocalíptica” bem planejada contra Francisco pelos conservadores que querem desestabilizar a Igreja e bloquear suas tentativas de mudá-la.

O destacado colunista político Massimo Franco escreveu no diário Corriere della Sera que a história foi provavelmente “gestada no mais obscuro subterrâneo do Vaticano e visava deslegitimar o pontífice”.

O La Stampa definiu a saga como parte de uma “calúnia para bloquear a mudança”.

Todos esses desdobramentos foram resultados de uma reportagem no Quotidiano Nazionale, segundo a qual um médico japonês tinha secretamente visitado o Vaticano em janeiro para examinar o papa e concluiu que ele estava com um tumor benigno que poderia ser tratado sem cirurgia.

O Vaticano emitiu três negativas detalhados e o médico, Takanori Fukushima, divulgou um comunicado por intermédio de seu consultório no Estado norte-americano da Carolina do Norte, no qual afirmou: “Eu nunca examinei como médico o papa. Essas histórias são completamente falsas.”

O consultório de Fukushima disse que ele apertou a mão do papa ao lado de milhares de pessoas em uma audiência geral, mas nada mais que isso.

Na quinta-feira o Quotidiano Nazionale disse que mantinha as informações de sua reportagem.

No entanto o jornal do próprio Vaticano, o L‘Osservatore Romano, disse que o momento das “notícias falsas” é suspeito. “O momento escolhido desmascara uma tentativa de levantar uma nuvem de poeira, com o objetivo de manipular.”

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