24 de Outubro de 2015 / às 15:44 / em 2 anos

Erdogan diz que a Turquia não permitirá que os curdos "capturem" o norte da Síria

ISTAMBUL (Reuters) - O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, acusou grupos curdos, neste sábado, de tentar assumir o controle do norte da Síria, e disse que Ankara não permitirá que isso aconteça.

Em um discurso no sudeste da Turquia, Erdogan denunciou a transformação da cidade síria de Tel Abyad semana passada em uma estrutura política autônoma criada pelos curdos.

“Tudo que eles querem é tomar o controle de todo o norte da Síria”, disse Erdogan. “Sob nenhuma circunstância vamos permitir que o norte da Síria torne-se vítima desse esquema. Porque isso é uma ameaça para nós e não é possível que a Turquia diga ‘sim’ para essa ameaça.”

A Turquia está alarmada pelos ganhos territoriais dos curdos na guerra civil da Síria e teme que isso possa inflar o movimento separatista da sua própria minoria curda.

Tel Abyad, na fronteira da Turquia, foi capturada em junho do Estado Islâmico pela milícia curda YPG, com a ajuda de ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos. Semana passada, um conselho de liderança local declarou a região parte do sistema autônomo autogovernado pelos curdos.

Curdos da Síria estabeleceram três zonas autônomas, ou “cantões”, ao redor do norte da Síria desde que a guerra civil eclodiu em 2011. Eles negam que estejam tentando fundar um Estado próprio.

A Turquia, nas últimas três décadas, tem tentado minar a insurgência de militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é classificado como uma organização terrorista pelos Estados Unidos e a União Europeia.

O PKK tem realizado ataques diários no sudeste desde julho, quando acabou um acordo de cessar-fogo.

O governo turco acusa o braço político dos curdos sírios, o PYD, de ter ligações profundas com o PKK e ficou furioso com o papel que os curdos tiveram, com o apoio dos EUA, na luta contra o Estado Islâmico no norte da Síria.

Erdogan também atacou países que fornecem ajuda ao PYD, apesar de não tê-los nomeado.

“Neste momento, há 1.400 membros do PKK no PYD. Não tem por que ignorar isso, isso é fato”, disse Erdogan. “Mas todos esses países que nos parecem amigáveis estão tentando fazer isso parecer o oposto. Qualquer assistência armada que eles (PYD) recebam, está vindo desses países. Sabemos muito bem de quem são”.

No começo do mês, a milícia curda YPG anunciou uma nova aliança com grupos pequenos de militantes árabes, e o grupo recebeu armas e munições de menor calibre das forças dos EUA no nortdeste da Síria.

Washington indicou que poderia ajudar diretamente com dinheiro e armas comandantes árabes que estão cooperando com o YPG.

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