7 de Novembro de 2015 / às 15:51 / 2 anos atrás

Mianmar prepara primeira eleição livre em 25 anos

YANGON/MANDALAY (Reuters) - Mianmar irá para as urnas no domingo, dando o maior passo em uma jornada da ditadura para a democracia. Porém, o legado do regime militar implica que a ícone da oposição Aung San Suu Kyi não poderá se tornar presidente mesmo que seu partido vença por ampla maioria.

O clima de entusiasmo na nação do sudeste asiático tomava conta do país às vésperas da eleição em que 30 milhões de pessoas estão aptas a votar no primeiro pleito livre nacional em um quarto de século.

“Eu realmente quero mudança”, disse Zobai, um negociante de jade na segunda maior cidade de Mianmar, Mandalay, sem revelar sobrenome. “Eu estou vivo há 53 anos e tudo o que eu vi foi ditadura.”

Vencedora do prêmio Nobel da Paz, Suu Kyi venceu a última eleição livre em 1990, mas os militares ignoraram o resultado. Ela passou a maior parte dos próximos 20 anos sob prisão domiciliar antes de ser solta em 2010.

O partido dela, Liga Nacional para a Democracia (NLD), deve vencer de novo, mas ela está impedida de assumir a presidência sob uma constituição escrita pela junta militar para preservar seu poder.

Se ela conseguir maioria e for capaz de formar o primeiro governo democraticamente eleito de Mianmar desde 1960, Suu Kyi diz que será o poder por detrás do novo presidente, independente da constituição chamada por ela de “muito boba”.

Suu Kyi tem uma desvantagem considerável no parlamento: mesmo se a votação for considerada livre e justa, um quarto das cadeiras da casa ainda continuará sob controle de militares não eleitos.

Para formar um governo e escolher seu próprio presidente, o NLD sozinho ou com aliados precisa conquistar mais de dois terços dos assentos no parlamento. Em contraste, o partido do governo, Partido para Desenvolvimento e União Solidária (USDP), precisa de bem menos cadeiras se tiver o apoio do bloco militar no parlamento.

Entretanto, os eleitores deverão rejeitar o USDP, criado pela antiga junta e liderado por ex-autoridades militares, porque o partido é associado com a ditadura brutal que instalou o governo civil do presidente Thein Sein em 2011.

Por Hnin Yadana Zaw e Aubrey Belford

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