November 9, 2015 / 6:34 PM / 3 years ago

Lama de barragens que romperam em Minas aumenta riscos para a saúde

Por Stephen Eisenhammer e Marta Nogueira

Trabalhadores de resgate procuram vítimas em distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. 8/11/2015. REUTERS/Ricardo Moraes

BENTO RODRIGUES, Minas Gerais (Reuters) - A lama e o lixo trazidos pelo rompimento de barragens de uma mina de minério de ferro cortaram o abastecimento de água e elevaram as preocupações ambientais e com a saúde em cidade a mais de 300 quilômetros do local da tragédia nesta segunda-feira, em meio aos esforços de busca na vila que foi devastada pela lama.

Um dos piores desastres da história da mineração brasileira deixou 25 pessoas desaparecidas. Autoridades já confirmaram duas mortes desde o desastre na última quinta-feira e trabalham para identificar outros dois corpos resgatados no domingo.

Bombeiros exaustos vasculhavam a lama em meio aos destroços do distrito de Bento Rodrigues, uma vila de 600 pessoas que foi a área mais atingida pelo rompimento das barragens.

A enxurrada chegou a cidades localizadas a até 100 quilômetros de distância depois do rompimento de duas barragens de contenção de rejeitos da mineração. Quatro dias depois, a lama e os rejeitos ainda correm pelas áreas bastante povoadas das margens do Rio Doce.

A cidade de Governador Valadares, com 280 mil habitantes, cortou o fornecimento municipal de água há 24 horas e continuará a testar a qualidade da água até que a lama passe pela cidade, disseram autoridades.

Autoridades de saúde do Estado de Minas Gerais estão analisando a salubridade das águas e alertaram moradores que entraram em contato com a lama que joguem fora suas roupas. Biólogos alertam que o impacto ambiental pode ser permanente, devastando a agricultura e a pesca da região.

A tragédia mobilizou autoridades governamentais, ambientalistas e moradores irritados a pedirem uma regulação mais firme da poderosa indústria mineradora.

Moradores e autoridades também criticaram o que viram como falhas na comunicação da operadora da mina, a Samarco, uma joint venture da BHP Billiton, a maior mineradora do mundo, com a brasileira Vale.

A Samarco afirma estar dedicada a diminuir os impactos humano e ambiental do desastre, pagando pelas acomodações e pela realocação dos moradores afetados.

Mas as famílias reclamam que a empresa deu poucas respostas sobre quanto tempo os desalojados ficarão fora de suas casas ou se a companhia vai eventualmente consertar as moradias danificadas.

A esperança está acabando para Marcelo José Felício, um funcionário terceirizado da mineradora e que tem uma tatuagem da mãe, que desapareceu em Bento Rodrigues, quando a vila foi tomada pela lama.

“Ninguém diz nada”, disse ele. Não sei se ela está viva. Não sei nem se ela está na lista de desaparecidos. Distribuí fotos caso alguém a encontre.”

No domingo, a BHP disse que Andrew Mackenzie, presidente-executivo da mineradora, está voando para o Brasil para avaliar a situação. Em comunicado, a empresa disse que está fornecendo à Samarco “toda a assistência necessária”.

A Vale encaminhou todos os pedidos por comentários sobre o acidente para a Samarco.

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