10 de Novembro de 2015 / às 20:39 / 2 anos atrás

Esquerda derruba governo de centro-direita em Portugal e busca fim de austeridade

Primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, durante debate sobre programas do governo no Parlamento, em Lisboa, Portugal, nesta terça-feira. 10/11/2015 REUTERS/Rafael Marchante

LISBOA (Reuters) - Partidos de esquerda derrubaram o governo de centro-direita de Portugal nesta terça-feira, na primeira ação do tipo contra um governo eleito desde o fim da ditadura em 1974, abrindo caminho para que uma administração liderada por socialistas termine com anos de medidas de austeridade.

O governo minoritário alertou que recuar com a austeridade pode colocar Portugal numa rota similar à da Grécia, enquanto que a esquerda comemorava a chance de aumentar rendimentos afetados durante a crise financeira, cortar impostos e proteger benefícios sociais.

A perspectiva de um governo apoiado pelos comunistas e pelo Bloco de Esquerda tem balançado investidores e provocado temores de que uma recuperação econômica frágil possa sair dos trilhos num país que acabou de sair de um programa de socorro internacional no ano passado.

“O tabu terminou, o muro foi quebrado”, disse o líder socialista, António Costa, que arquitetou a ação para derrubar a centro-direita e se agrupar com a extrema-esquerda.

“Esse é um novo quadro político, a velha maioria não pode fingir ser o que deixou de ser”, afirmou ele.

Parlamentares forçaram o colapso do governo, com 123 votos contra o programa de austeridade num Parlamento com 230 membros.

Centenas de simpatizantes do governo se juntaram em frente ao Parlamento, cantaram o hino nacional e frases de apoio ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enquanto que outro grupo aliado a um sindicato apoiava a esquerda.

A coalizão de centro-direita, de Passos Coelho, ganhou a maioria dos votos nas eleições de 4 de outubro e, mantendo a convenção política, ele foi reconduzido ao posto na semana passada pelo presidente.

Contudo, num desdobramento inesperado, os três partidos de esquerda, que obtiveram maioria no Parlamento, concordaram após o pleito em colocar de lado profundas diferenças ideológicas e se juntar para se livrar da centro-direita.

Nesta terça-feira, pouco antes da votação, eles formalizaram o acordo para dar apoio majoritário a um governo liderado pelos socialistas.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, alertou o Parlamento que a confiança dos investidores já estava diminuindo, enquanto que a perspectiva de não cortar o déficit orçamentário, de acordo com os compromissos firmados com a União Europeia, poderia levar a uma nova crise da dívida e tornar necessário outro socorro.

“Não precisamos imaginar as consequências. Basta olhar para a experiência recente da Grécia e o custo das suas tentativas de terminar com a austeridade. Mais recessão, mais pobreza, mais falta de empregos e maior dependência de empréstimos europeus e do FMI.”

Os socialistas insistem que irão respeitar as regras orçamentárias da União Europeia e que voltar a conceder maiores rendimentos às famílias deverá impulsionar a economia. Mas muitos economistas têm questionado esses planos.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below