13 de Novembro de 2015 / às 14:57 / em 2 anos

ENTREVISTA-É preciso formar uma maioria em torno de uma saída para a economia, diz Moreira Franco

BRASÍLIA (Reuters) - A poucos dias de um importante encontro de peemedebistas, o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, insiste que o PMDB, maior partido da base governista, não quer falar de política agora e sim de economia, para “unir o país”, mesmo que o documento “Uma Ponte para o Futuro”, centro da discussão da próxima semana, faça duras críticas ao governo.

Moreira Franco (D), presidente da Fundação Ulysses Guimarães, ao lado do vice-presidente Michel Temer (E) durante evento do PMDB em Brasília. 07/05/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Em entrevista à Reuters, Moreira Franco deixou claro que não vê a administração de Dilma Rousseff como um governo do PMDB, e afirmou que seu partido precisa chegar a um consenso interno independentemente da sua relação com o Palácio do Planalto.

“O documento não trata do governo. Não falamos de política, o documento é econômico. Ele faz uma avaliação da realidade econômica, ele trata da crise econômica e procura definir um caminho, uma ponte para que saiamos dessa crise”, disse na quinta-feira o presidente da fundação ligada ao partido.

”Não tratamos de questão política, o documento não é para servir A, B, C ou D, mas para servir a sociedade brasileira. Precisamos formar uma maioria no Brasil em torno de uma saída”, acrescentou. “Não se pode fazer de uma questão econômica um tema político, quando temos quase 40 partidos e nenhum deles está apresentando uma alternativa, a não ser o PMDB.”

Um dos responsáveis pelo documento apresentado pelo PMDB no final de outubro, que será discutido no Congresso Nacional da Fundação Ulysses Guimarães na próxima terça-feira, Moreira Franco não costuma esconder que é um dos defensores da saída do partido do governo de Dilma Rousseff e de uma candidatura própria em 2018, essa última uma tese hoje praticamente majoritária no partido.

Em mais de uma ocasião, ele criticou o governo por não ouvir o PMDB e o acusou de ter tentado “desidratar o partido”.

Agora, no entanto, afirma que o partido não está tratando de governo ou de política. Apesar de o PMDB ter hoje sete ministros e o vice-presidente da República, diz que o “governo não é do PMDB” e o partido precisa primeiro fazer uma discussão interna para se unir em torno de uma proposta.

“Não é procurando culpados agora que vamos sair da crise. Precisamos definir uma ponte, um caminho, um conjunto de medidas de natureza econômica que permita ao Brasil sair da crise. E é esse o objetivo. Nós não estamos na fase da política. Estamos na fase da economia”, disse.

”Precisamos unir todos os brasileiros, não importa de que partido seja, para que entendam que estamos vivendo a maior crise econômica da nossa história e precisamos de uma saída”, acrescentou.

Moreira Franco disse que o quadro político não vai resolver a crise econômica, o que não o impediu de soltar farpas contra Dilma ou mesmo o presidente da Câmara dos Deputados, o também peemedebista Eduardo Cunha (RJ).

“Querem nos colocar numa camisa de força, achando que a questão política, a briga eleitoral, a fulanização vai resolver o problema. Não vai”, disse.

”Estamos perdendo o ano de 2015 porque estão transformando-o em disputa entre o presidente da Câmara e a presidente da República, ambos querendo preservar seus mandatos. Enquanto isso, a economia está vivendo a maior crise da nossa história e ainda não chegamos no fundo do poço.”

PROPOSTAS POLÊMICAS

No documento, o partido apresenta propostas polêmicas e contrárias ao pensamento de Dilma e do PT, mesmo que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, seja simpático a várias delas.

O PMDB defende ali, por exemplo, o fim das vinculações constitucionais, inclusive educação e saúde, o orçamento impositivo e o término da vinculação de qualquer reajuste ao salário mínimo e do próprio aumento do salário mínimo ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), como é hoje.

Dentro do governo, fala-se que é preciso analisar todas as propostas apresentadas por todos os partidos da base para formular uma política pós-ajuste. Até agora, no entanto, o partido não foi chamado para discutir isso.

“O governo tem acesso a esse documento. Mas o governo não é do PMDB. Essa discussão agora é uma discussão do PMDB primeiro, porque precisamos formar uma maioria dentro do partido para que essa maioria possa ajudar na reunificação da sociedade brasileira”, afirmou.

A “reunificação da sociedade brasileira” é um dos pontos centrais do documento peemedebista. No texto, o partido se coloca, mesmo que não explicitamente, como capaz de fazer essa unificação, ao afirmar que “impõe-se a formação de uma maioria política mesmo que transitória ou circunstancial”.

Para Moreira Franco, o primeiro passo é se chegar a um consenso sobre a questão econômica.

“Primeiro precisamos formar uma maioria dentro do partido para então dizer para a sociedade que ela é fundamental nessa discussão”, disse.

O congresso, convocado pela fundação peemedebista, enfrentou resistência durante algum tempo por uma ala do PMDB que temia uma movimentação maior dos grupos que defendem que o partido deixe já o governo.

Como o encontro não é uma instância decisória, o centro da discussão, defende Moreira, será o documento do partido e um novo estatuto. Mas é dado como certo que, durante a plenária, grupos apresentem moções pedindo que o PMDB saia imediatamente do governo.

“O PMDB tem voz e não tem dono. O militante tem espaço para defender seus pontos de vista. Vai ter a plenária onde vai se discutir assuntos gerais. Terão espaço para expressar, fazer moções, que serão levadas em consideração pelos dirigentes.”

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