18 de Novembro de 2015 / às 19:55 / 2 anos atrás

Fed reforça alta dos juros em dezembro, apesar de preocupações de longo prazo

WASHINGTON (Reuters) - Um número sólido de autoridades do Federal Reserve defendeu possível alta de juros em dezembro na última reunião do banco central norte-americano, mas seus integrantes também debateram evidências de que o potencial de longo prazo da economia norte-americana pode ter se movido permanentemente para baixo, mostrou nesta quarta-feira a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed.

Após passar o verão e o início do outono (no Hemisfério Norte) preocupados com a volatilidade nos mercados norte-americanos e as perdas nos mercados chineses, “a maioria” dos participantes da reunião sentia que as condições para o aumento de juros “podem muito bem serem atendidas até a próxima reunião”.

O Fed decidiu fazer referência excepcionalmente direta em sua declaração pós-reunião a um possível aumento da taxa em dezembro. Apenas “alguns” de seus membros expressaram preocupações com a possibilidade de que isso os levaria a fixar de forma demasiadamente forte as expectativas sobre o aperto monetário, de acordo com a ata.

A equipe descreveu como o Fed pode ter ficado para trás ao comunicar as suas intenções, com os mercados precificando um aumento inicial dos juros apenas no ano que vem.

A linguagem adotada no comunicado de outubro levou essas expectativas rapidamente de volta a dezembro.

“O sistema financeiro norte-americano parece ter resistido à turbulência nos mercados financeiros globais sem qualquer sinal de estresse sistêmico”, trouxe a ata. “A maioria dos participantes avaliou que diminuíram os riscos decorrentes da evolução econômica e financeira no exterior, julgando que os riscos às perspectivas para a atividade econômica doméstica e para o mercado de trabalho estavam quase equilibrados”.

Mas, apesar da esperança nas perspectivas de curto prazo, o Fed também debateu o que poderia se tornar uma preocupação central quando der início a seu primeiro ciclo de aperto monetário em uma década: o potencial da economia dos Estados Unidos.

O debate tomou a forma de uma discussão sobre a taxa de juros real de equilíbrio -- aquela que, deduzida a inflação, seria consistente com o pleno emprego e com a meta de inflação do Fed, de 2 por cento.

De acordo com estimativas dos técnicos, a taxa de equilíbrio provavelmente caiu abaixo de zero durante a crise e só se recuperou um pouco, e está “próxima de zero atualmente”.

Para o Fed, isso pode significar pouca margem de manobra se quiser evitar apertar as condições financeiras muito rapidamente. Além disso, pode ser uma indicação de que os juros nunca vão se afastar muito de zero, seu limite inferior.

A preocupação é séria o suficiente para que “várias” autoridades do Fed entendessem que seria “prudente” planejar outras maneiras de estimular a economia se juros baixos se tornarem permanentementes.

Reportagem de Howard Schneider e Jason Lange

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