3 de Fevereiro de 2016 / às 18:43 / 2 anos atrás

Demanda por repelente salta no Brasil por medo do Zika vírus e fabricante eleva produção

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A forte demanda pelo repelente Exposis, um dos mais indicados contra o Aedes aegypti, obrigou o laboratório francês Osler a ampliar a produção no Brasil e a importar o princípio ativo de avião, em meio a uma multiplicação de casos de microcefalia que podem estar ligados ao vírus Zika, transmitido pelo mosquito.

Grávida no Rio de Janeiro aplica repelente. 28/01/2016. REUTERS/Pilar Olivares

A procura pelo único repelente do mercado brasileiro com a substância icaridina --de mais longa duração-- explodiu desde o fim de novembro, quando o Ministério da Saúde anunciou a ligação entre o Zika e a microcefalia.

Com a filha em estágio final da gravidez, o engenheiro Frank Lattari, 70, disse ser necessário visitar várias farmácias no Rio de Janeiro para encontrar o Exposis. “Minha filha quase não está saindo de casa”, disse Lattari, que desde o início do surto já comprou sete tubos do repelente.

A demanda também é grande pelas marcas Repelex e OFF!, que estão conseguindo atender a maior procura, segundo gerentes de drogarias na capital carioca ouvidos pela Reuters.

A Osler aumentou em 28 vezes sua produção de dezembro de 2015 a janeiro de 2016 para atender a demanda das farmácias, mas ainda não conseguiu suprir toda a procura, disse à Reuters o diretor-geral do laboratório no Brasil, Paulo Guerra Vieira.

A empresa, que importa a icaridina da Alemanha, passou em dezembro a trazer o princípio ativo para o país de avião em vez de navio, como era feito antes do surto de Zika.

“Prevemos equilibrar a oferta e a demanda ao longo de fevereiro”, afirmou Vieira.

O Brasil, que por ser um país tropical enfrenta maior transmissão de vírus por mosquitos, representa 90 por cento da receita mundial da Osler.

Neste mês, o laboratório está entrando em mais nove países das Américas, entre eles Estados Unidos, México, Colômbia, Uruguai e Argentina, diante da alta demanda por conta do Zika, com exportação do repelente produzido no Brasil.

O laboratório francês contratou mais capacidade de produção terceirizada nas cidades de Vinhedo (SP) e Palhoça (SC). Anteriormente, a Osler só tinha produção no país em Sarapuí (SP), em uma unidade também terceirizada.

A norte-americana SC Johnson disse ter intensificado a produção do repelente OFF! para garantir o suprimento no Brasil. O laboratório britânico Reckitt Benckiser informou ter ajustado a produção do Repelex diante do forte aumento da demanda, sobretudo no Nordeste e no interior de São Paulo.

De acordo com o infectologista Márcio Fernandes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, todos os produtos no mercado têm ação repelente. Mas a icaridina torna o risco de contaminação menor por durar mais horas, já que o usuário precisa de menos aplicações durante o dia.

O Ministério da Saúde recomenda o uso de qualquer tipo de repelente para combater o mosquito e negocia com fabricantes como viabilizar a distribuição do produto para cerca de 400 mil grávidas que recebem o benefício do Bolsa Família.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou na segunda-feira uma emergência internacional de saúde pública devido à rápida disseminação do Zika nas Américas.

Na noite de terça-feira, o governo brasileiro anunciou que os casos suspeitos e confirmados de recém-nascidos com má-formação cerebral ligada ao Zika subiram para 4.074 até 30 de janeiro, ante 3.718 na semana anterior.

DADOS DE MERCADO

As vendas de repelentes no Brasil em volume saltaram 32,5 por cento em 2015, após terem crescido 6,6 por cento no ano anterior, segundo dados da consultoria Nielsen. Em receita, a categoria faturou 217,4 milhões de reais em 2015, alta de 49,5 por cento, frente a aumento de 15,4 por cento em 2014.

O grupo varejista farmacêutico Raia Drogasil informou que suas vendas de repelentes em dezembro de 2015 foram sete vezes maiores, em unidades, do que em dezembro de 2014.  

“A empresa está em contato com fornecedores antigos e negociando com novos para buscar um melhor prazo de entrega desses produtos, principalmente em Estados onde a demanda está em alta”, disse a empresa.

A rede de farmácias Pague Menos informou ter triplicado as vendas de repelente entre novembro e janeiro. “Um ou outro fabricante não conseguiu a acompanhar a demanda. Alguns estão faltando até hoje, como o Exposis”, disse a gerente de compras da companhia, Patrícia Austregésilo.

No fim do sexto mês de gravidez, a professora de educação física Cristiane Padrão, 36, foi orientada por seu médico no Rio a passar repelente ao menos duas vezes por dia.

“Na semana em que eu estava só com um tubo, procurei outro na Internet e não consegui achar”, disse ela sobre o Exposis, com preço de 50 a 70 reais o frasco com 100 mililitros.

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