5 de Fevereiro de 2016 / às 14:41 / em 2 anos

Fundador do WikiLeaks pede liberdade a Suécia e Grã-Bretanha após parecer da ONU

LONDRES (Reuters) - Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, pediu nesta sexta-feira à Grã-Bretanha e à Suécia que permitam que ele deixe a embaixada do Equador em Londres em liberdade depois que um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que ele foi detido arbitrariamente e que deveria ser indenizado.

Fundador do WikiLeaks Julian Assange fala em coletiva de imprensa na embaixada do Equador em Londres, Inglaterra. 18 de agosto de 2014. REUTERS/John Stillwell/pool

Assange, ex-hacker que causou irritou os Estados Unidos por usar o WikiLeaks para vazar centenas de milhares de comunicações diplomáticas e militares secretas norte-americanas, está na representação equatoriana desde junho de 2012 para evitar uma investigação de estupro na Suécia.

    Tanto a Grã-Bretanha quanto a Suécia negaram que Assange esteja privado de liberdade, ressaltando que ele se refugiou na embaixada voluntariamente.

    Londres declarou que irá contestar a decisão da ONU e que Assange será preso se deixar o local.        

    O australiano Assange apelou à entidade da ONU, cujo veredicto não implica em cumprimento obrigatório, afirmando ser um refugiado político cujos direitos foram infringidos, já que ele não foi capaz de viajar ao Equador, país que lhe havia concedido asilo político.

    A decisão, embora favorável a ele, não foi unânime. Três dos cinco membros do conselho apoiaram um arbítrio a favor de Assange, um discordou e outro se absteve.

    Falando por meio de uma videoconferência de suas instalações apertadas na representação equatoriana, localizada na região londrina de Knightsbridge, Assange pediu aos governos britânico e sueco que adotem a decisão do órgão da ONU.

    “Hoje temos uma vitória realmente significativa, que me fez sorrir”, disse Assange. “Agora é tarefa da Suécia e da Grã-Bretanha... implementarem o veredicto.”

    Assange, de 44 anos, nega as alegações de que teria cometido estupros na Suécia em 2010, afirmando que a acusação é uma artimanha que mais adiante o levaria aos EUA, onde uma investigação criminal sobre as atividades do WikiLeaks ainda está aberta.

    “O Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU considera que as várias formas de privação da liberdade às quais Julian Assange vem sendo sujeitado constituem uma forma de detenção arbitrária”, declarou o chefe da entidade, Seong-Phil Hong, em um comunicado.

    “(O Grupo) mantém que a detenção arbitrária do senhor Assange deveria ser encerrada, que sua integridade física e sua liberdade de movimento deveriam ser respeitadas e que ele deveria poder usufruir do direito compulsório de indenização”.

    O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse que Assange precisa receber permissão de sair em liberdade. “Do que mais eles querem acusá-lo antes de começarem a retificar seu erro?”, indagou ele na rede de TV Telesur, referindo-se a Grã-Bretanha e Suécia. Patiño afirmou que o Equador está estudando seus próximos passos.

    O Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias não tem autoridade para ordenar a libertação de um detido --e é improvável que a decisão desta sexta-feira altere as questões legais que Assange enfrenta-- , mas o organismo analisou muitos casos de grande repercussão, e seu apoio tem um peso moral que pressiona governos.

    “Julian Assange é um fugitivo da Justiça. Ele está se escondendo da Justiça na embaixada do Equador”, declarou o chanceler britânico, Philip Hammond.

    Promotores suecos dizem que a decisão da ONU não tem impacto formal na investigação de estupro à luz da legislação de seu país.

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