17 de Fevereiro de 2016 / às 13:37 / em 2 anos

De aliado a desafeto de Cunha, Picciani tenta reeleição à liderança do PMDB

BRASÍLIA (Reuters) - Nome do Palácio do Planalto para comandar novamente a bancada do PMDB na Câmara, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que disputa a liderança nesta quarta-feira, não foi sempre um apoiador do Executivo.

Deputado Leonardo Picciani (RJ), candidato à reeleição em disputa pela liderança do PMDB na Câmara dos Deputados. 07/12/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Inicialmente aliado do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo suporte foi um dos fatores que o levaram à liderança do PMDB no ano passado, Picciani chegou a apoiar, assim como seu pai, o presidente do partido no RJ, Jorge Picciani, a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República nas eleições de 2014.

A conjuntura política mudou, Cunha rompeu definitivamente com o governo e Leonardo Picciani, em seu terceiro mandato de deputado federal aos 36 anos, ganhou a relatoria de proposta prioritária para o Executivo, que revertia parcialmente a desoneração da folha de pagamento concedida a empresas, parte do ajuste fiscal promovido pelo governo no ano passado.

Ainda nessa época, não era tido como governista. Negociava termos da proposta com o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas tinha posições divergentes das defendidas pelo Executivo.

Passou a conversar mais com o governo quando o Planalto identificou que já era crítica a insatisfação do PMDB e chamou o líder para negociar um aumento da cota dos deputados do partido em ministérios, como parte da reforma administrativa para adequar a distribuição ministerial à correlação de forças da sua base.

Como resultado da reforma, dois deputados peemedebistas foram alçados a ministros --Celso Pansera, na Ciência e Tecnologia, e Marcelo Castro, na Saúde, uma das pastas mais relevantes da Esplanada, com um vultuoso orçamento e capilaridade.

Mas foi durante a escolha de nomes da bancada para compor uma comissão especial da Câmara que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff que a aproximação do líder com o governo ficou mais evidente.

Ao identificarem na lista oferecida por Picciani para compor a comissão do impeachment deputados favoráveis ao governo, dissidentes da bancada aliaram-se à oposição e elaboraram uma lista paralela que acabou sendo eleita, mas posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A partir daí ficou consolidada uma divisão entre os representantes do partido na Câmara, culminando com a destituição de Picciani do posto de líder. A ala insatisfeita na bancada do PMDB conseguiu apoio suficiente colocar Leonardo Quintão (PMDB-MG) em seu lugar.

Picciani retomou o posto oito dias depois, com nova lista de apoio. Tenta agora a reeleição à liderança contra o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), aliado de Cunha, com uma bancada dividida num cenário em que terá de mostrar lealdade ao Planalto no processo de impeachment contra Dilma.

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