1 de Março de 2016 / às 00:10 / 2 anos atrás

Cientistas constatam que Zika eleva risco de doença neurológica rara

Mosquitos Aedes aegypti em laboratório em Seibersdorf. 10/2/2016. REUTERS/Leonhard Foeger

LONDRES (Reuters) - Cientistas franceses afirmaram ter provado uma ligação entre o Zika vírus e a síndrome de Guillain-Barré, indicando que países atingidos pela epidemia do Zika irão ver um aumento nos casos da moléstia neurológica grave.

Guillain-Barré (GBS) é uma síndrome rara em que sistema imunológico do corpo ataca parte do sistema nervoso. Ocorre geralmente alguns dias após a exposição a um vírus, bactéria ou parasita.

Em um estudo retrospectivo analisando dados de um surto de Zika na Polinésia Francesa durante os anos de 2013 e 2014, os pesquisadores liderados por Arnaud Fontanet, do Instituto Pasteur, calcularam o risco estimado de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré em 2,4 para cada 10.000 pessoas infectadas pelo Zika.

“Este trabalho é importante porque permite a confirmação do papel da infecção pelo Zika vírus nas ocorrências de complicações neurológicas graves que constituem a Síndrome de Guillain-Barré”, disse Fontanet.

“As regiões que são afetadas pela epidemia do vírus Zika provavelmente vão ver um aumento significativo no número de pacientes com complicações neurológicas graves e, quando possível, devem aumentar a capacidade das instalações de cuidados de saúde para receber pacientes que necessitam de cuidados intensivos.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou um surto do Zika vírus no Brasil e que se espalhou pelas Américas, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, uma emergência de saúde internacional.

Esta declaração foi amplamente baseada em evidências ligando o Zika a uma má-formação cerebral em recém-nascidos, a microcefalia, mas a OMS também está preocupada com o aumento dos relatos de casos de Guillain-Barré em países atingidos pelo Zika.

Ainda não está claro se o Zika vírus realmente causa a microcefalia em bebês, mas especialistas dizem que a evidência de uma ligação está crescendo.

A equipe de Fontanet analisou dados de 42 pacientes que desenvolveram a síndrome de Guillain-Barré na época da epidemia na Polinésia Francesa e descobriu que cada um tinha evidência de infecção prévia de Zika.

Os testes também mostraram que 93 por cento deles tinham sido infectados pelo Zika recentemente - prazo de três meses antes de desenvolver a síndrome.

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