11 de Março de 2016 / às 12:18 / em 2 anos

Vítimas de tsunami no Japão ainda lutam por recomeço cinco anos após tragédia

RIKUZENTAKATA, Japão (Reuters) - O Japão lembrou nesta sexta-feira as milhares de pessoas que perderam as vidas em um grande terremoto seguido de tsunami cinco anos atrás, que transformou cidades em escombros e provocou o maior desastre nuclear do mundo desde o acidente de Chernobyl em 1986.

Funcionários de empresa japonesa durante minuto de silêncio às milhares de pessoas que perderam as vidas em um grande terremoto seguido de tsunami cinco anos atrás. REUTERS/Yuya Shino

O tremor de magnitude 9,0 aconteceu em uma sexta-feira fria, desencadeando ondas imensas ao longo de um largo trecho do litoral e matando quase 20 mil pessoas. O tsunami avariou a usina nuclear de Fukushima Dai-ichi, provocando vazamentos que contaminaram a água, os alimentos e o ar.

O primeiro-ministro na ocasião, Naoto Kan, disse que temeu ter que mandar esvaziar a capital Tóquio e que a própria existência do Japão estivesse em perigo.

Mais de 160 mil pessoas foram retiradas das cidades próximas, e cerca de 10 por cento delas ainda vivem em acomodações temporárias no município de Fukushima. A maioria se reacomodou fora de suas cidades de origem e recomeçou a vida.

Algumas áreas continuam interditadas devido à alta radiação. Manifestantes que protestavam diante da Tokyo Electric Power Co (Tepco), a operadora da usina nuclear, diziam “me devolvam minha cidade!”.

Nos cemitérios localizados ao longo do litoral devastado, diante de edifícios arrasados pelas ondas e nas praias, famílias se reuniram para oferecer flores e incenso, enxugando as lágrimas.

As bandeiras estavam a meio-mastro nos edifícios do governo central, algumas com faixas pretas.

Na cidade costeira de Rikuzentakata, que foi devastada por uma onda que pode ter chegado a 17 metros e que perdeu sete por cento de sua população, assim como todo o centro da localidade, a dor ainda é forte.

“A realidade é que ainda sentimos as cicatrizes aqui, e ainda há muitos lutando para recomeçar suas vidas”, contou Yashichi Yanashita, funcionário aposentado da prefeitura de 65 anos. O prédio de quatro andares que abrigava a prefeitura foi inundado pela onda gigante.

Às 2h46 do horário local desta sexta-feira, o momento em que o terremoto ocorreu, sinos foram tocados no centro de Tóquio e em todo o país pessoas curvaram a cabeça em um instante de silêncio. Todos os trens do vasto metrô da capital ficaram parados por um minuto.

O atual premiê, Shinzo Abe, e o imperador japonês, Akihito, se curvaram diante de um palco repleto de flores brancas e amarelas em uma cerimônia em Tóquio testemunhada por 1.200 mil pessoas, incluindo sobreviventes da área afetada.

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