15 de Março de 2016 / às 23:18 / em 2 anos

Dilma repudia tentativa de ligar nome dela a conversa de Mercadante com assessor de Delcídio

BRASÍLIA (Reuters) - A iniciativa do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de conversar com um assessor do senador Delcídio do Amaral (MS), revelada em delação premiada do senador, irritou profundamente a presidente Dilma Rousseff, que exigiu explicações públicas do ministro e divulgou uma nota rejeitando com “veemência e indignação” a tentativa de vinculá-la ao caso.

Presidente Dilma Rousseff durante entrevista em Brasília 11/3/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

Logo pela manhã, ao ouvir as informações de que Mercadante havia sido citado na delação de Delcídio como tendo oferecido recursos financeiros e ajuda jurídica para evitar a colaboração com a Justiça, Dilma ficou atônita, informaram à Reuters duas fontes do governo.

Furiosa, segundo as fontes, a presidente mandou chamar o ministro para pedir explicações e só se acalmou um pouco ao ler, junto com ele, a degravação da conversa entre Mercadante e o assessor de Delcídio responsável pelas gravações, José Eduardo Marzagão.

Na conversa, a presidente disse ao ministro que ele não deveria ter se metido com isso, não deveria ter aceitado falar com Marzagão e que ele havia criado mais um enorme problema para o governo. Mesmo mais calma, segundo as fontes, exigiu que Mercadante desse explicações rápidas e públicas e deixasse claro que ela mesma não tinha conhecimento do que chamou, na nota, de “iniciativa pessoal” do ministro.

O fato de a delação ter omitido várias partes da conversa gravada –especialmente aquelas que Mercadante repetiu à exaustão na sua entrevista, em que afirmou que não iria interferir na delação do senador– levou o governo a acreditar que o estrago não seria tão grande.

Ao final do dia, a presidente estava mais tranquila, apesar de ainda irritada com seu ministro da Educação, que já foi chefe da Casa Civil e um de seus auxiliares mais próximos.

Mercadante aparece em um áudio de uma conversa com Marzagão na qual oferece ajuda no que for necessário para o senador, que à época da conversa estava preso, acusado de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato. A gravação é parte da delação premiada de Delcídio.

O ministro afirmou em entrevista que sua conversa com assessor de Delcídio foi um gesto pessoal de solidariedade ao senador e negou que tenha tentado impedir a delação do ex-líder do governo no Senado.

Mercadante negou também que tenha feito qualquer oferta de ajuda financeira a Delcídio, e ressaltou que a presidente Dilma Rousseff não tem nenhuma responsabilidade na sua conversa com o assessor do senador.

Reportagem adicional de Leonardo Goy

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