23 de Março de 2016 / às 22:48 / 2 anos atrás

Moro coloca sob sigilo lista que apontaria pagamentos da Odebrecht a políticos

SÃO PAULO (Reuters) - O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, colocou sob sigilo nesta quarta-feira o processo em que foi anexada uma lista que apontaria pagamentos da Odebrecht a políticos e determinou que o Ministério Público Federal (MPF) se manifeste sobre a possibilidade de enviar esses documentos ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Juiz federal Sérgio Moro durante evento em São Paulo em outubro de 2015. 27/10/2015. REUTERS/Paulo Whitaker

Em seu despacho, Moro afirmou que a lista, apreendida pela Polícia Federal na casa de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, “aparentemente” aponta pagamentos feitos pela empreiteira a agentes políticos.

O documento havia sido anexado ao processo referente à 23ª fase da Lava Jato, na qual foram presos o marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura.

“Prematura conclusão quanto à natureza d­esses pagamentos. Não se trata de apreen­são no Setor de Operações Estruturadas d­a Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht­ realizou, notoriamente, diversas doaçõe­s eleitorais registradas nos últimos ano­s”, escreveu Moro na decisão.

Como a lista cita autoridades com prerrogativa de foro junto ao Supremo, Moro pediu que o MPF se manifeste com urgência sobre o envio desses autos ao STF.

De acordo com veículos de imprensa que tiveram acesso à lista antes de ela se tornar sigilosa, o documento cita mais de 200 políticos de 18 partidos. Entre os citados, ainda de acordo com a mídia, estão o chefe do gabinete pessoal da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner; o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG); e os presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Wagner informou que não vai comentar lista sob sigilo e ainda em processo de investigação. Afirmou que todas as doações que recebeu da Odebrecht foram declaradas à Justiça.

Cunha disse a jornalistas que desconhecia a lista, mas afirmou que a empresa fez doações para o seu partido e correligionários, mas não diretamente para a sua campanha. Ao ser questionado, afirmou que todas as doações para sua campanha e para o PMDB são legais.

O presidente do Senado também tocou rapidamente no assunto, ao deixar o Congresso, negando ter cometido “impropriedade”. Para ele as “citações” não significam “absolutamente nada”, e acrescentou que tem se colocado sempre á disposição das investigações.

Aécio afirmou que a lista trata de “contribuições de campanha”, e que “basta olhar as declarações de campanha de todos os candidatos”.

Por Eduardo Simões; Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello e Lisandra Paraguassu, em Brasília

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