6 de Abril de 2016 / às 10:47 / 2 anos atrás

Mistério sobre Zika se aprofunda com evidências de infecções em células nervosas

Mosquitos Aedes aegypti em laboratório de San Juan. 06/03/2016 REUTERS/Alvin Baez

CHICAGO (Reuters) - Importantes pesquisadores do Zika acreditam agora que a microcefalia, uma má-formação cerebral, e a síndrome de Guillain-Barré são apenas as doenças mais evidentes causadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

A suspeita é alimentada por recentes descobertas de graves infecções cerebrais e da medula espinhal, incluindo encefalite, meningite e mielite, em pessoas expostas ao Zika.

A prova de que os danos causados pelo Zika podem ser mais variados e amplos do que inicialmente se acreditava aumenta a pressão sobre os países afetados para controlar a proliferação do mosquito transmissor e se preparar para fornecer cuidado intensivo e, em alguns casos, ao longo da vida, para os pacientes.

Os distúrbios recentemente suspeitos podem causar paralisia e incapacidade permanente - uma perspectiva clínica que acrescenta urgência aos esforços de desenvolvimento de vacinas para o Zika vírus.

Os cientistas tem duas hipóteses sobre o aparecimento dessas novas doenças. A primeira é que, como o vírus está se espalhando por populações grandes, se revelaram aspectos do Zika que passaram despercebidas em surtos anteriores em áreas remotas e pouco povoadas. A segunda é que os distúrbios recentemente detectados evidenciam que o vírus evoluiu.

“O que estamos vendo são as consequências deste vírus transformando a partir da cepa africana para uma cepa pandêmica”, disse o dr. Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine, no Texas, Estados Unidos.

A suspeita de que o Zika age diretamente sobre as células nervosas começaram com autópsias em fetos abortados e natimortos mostrando o vírus se replicando nos tecidos cerebrais. Além de microcefalia, pesquisadores relataram a descoberta de outras anormalidades associadas ao Zika, incluindo morte fetal, insuficiência placentária, retardo do crescimento fetal e danos ao sistema nervoso central.

Os médicos também estão preocupados que a exposição ao Zika no útero pode ter efeitos ocultos, tais como problemas comportamentais ou dificuldades de aprendizagem, que não são aparentes no nascimento.

“Se você tem um vírus que é tóxico suficiente para produzir microcefalia em alguém, você pode ter certeza que ele vai produzir uma série de condições que nós ainda nem começamos a entender”, disse o dr. Alberto de la Vega, um obstetra no Hospital Universitário de San Juan, em Porto Rico.

Pacientes expostos ao Zika também tiveram outros problemas neurológicos, incluindo a encefalomielite disseminada aguda, o que provoca a inflamação da mielina, a bainha protetora que cobre as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. Outros pacientes experimentaram sensações de formigamento, picada e ardor, que muitas vezes são marcadores de danos nos nervos periféricos.

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