19 de Abril de 2016 / às 12:52 / em 2 anos

Equador vê poucas chances de ainda encontrar sobreviventes 3 dias após terremoto

PEDERNALES/CANOA, Equador (Reuters) - Assolado por um forte terremoto no fim de semana, o Equador está diante da dura realidade de recuperar mais corpos do que sobreviventes nesta terça-feira, terceiro dia depois da tragédia, e o saldo de mortes subiu para mais de 400.

Prédio destruído após terremoto em Pedernales, Equador. 18/04/2016 REUTERS/Guillermo Granja

Rezando por milagres, familiares desesperados imploravam para que as equipes de resgate encontrassem seus entes queridos enquanto escavavam os destroços de casas, hotéis e lojas desmoronadas na costa do Oceano Pacífico, a região mais atingida.

Em Pedernales, uma cidade litorânea rústica que ficou devastada, multidões se reuniam atrás de fitas de isolamento para ver bombeiros e policiais revolvendo os escombros noite adentro. O estádio de futebol da localidade está servindo como um centro de apoio e necrotério improvisados.

“Encontrem meu irmão, por favor!”, gritava Manuel, de 17 anos, gesticulando com os braços para o céu diante de uma pequena loja de esquina onde seu irmão caçula trabalhava quando o tremor aconteceu, na noite de sábado.

Quando um passante disse que recuperar o corpo pelo menos lhe daria o conforto de poder enterrar o irmão, Manuel gritou “Não diga isso!”.

Mas para ele e centenas de equatorianos angustiados com o desaparecimento de parentes, o tempo está acabando.

A partir desta terça-feira, os esforços de resgate irão se tornar muito mais uma busca por cadáveres, disse o ministro do Interior do Equador, José Serrano, à Reuters. O saldo de mortes está em 413, mas se espera que aumente.

O terremoto deixou pelo menos 2.600 feridos, danificou mais de 1.500 edifícios e obrigou 18 mil pessoas a passarem a noite em abrigos, de acordo com o governo equatoriano.

Em muitos vilarejos ou cidades mais isoladas, os sobreviventes sofrem com a falta de água, eletricidade e transporte. As operações de resgate continuam, mas o cheiro de decomposição é um indicativo do que provavelmente irão encontrar.

Quase 400 socorristas de vários países vizinhos foram ao Equador prestar ajuda, além de 83 especialistas da Suíça e da Espanha. Os Estados Unidos disseram que irão enviar uma equipe de especialistas em desastres, e

Cuba está encaminhando uma equipe de médicos.

Em visita à zona do desastre na segunda-feira, o presidente equatoriano, Rafael Correa, visivelmente comovido, disse que a reconstrução irá custar bilhões de dólares e que pode representar um fardo “pesado” à nação de 16 milhões de pessoas e membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

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