1 de Maio de 2016 / às 18:48 / em um ano

Manifestantes iraquianos encerram protestos em Bagdá após divulgarem demandas

BAGDÁ, 1 Mai Reuters) - Manifestantes que acamparam na Zona Verde da Bagdá por 24 horas deixaram o fortificado distrito do governo no domingo, após terem feito demandas por reformas políticas no país, prometendo retornar até o fim da semana para manter a pressão. 

O Iraque tem passado meses de tensão política desencadeadas pelas tentativas do primeiro-ministro, Haider al-Abadi, de substituir ministros afiliados a partidos por tecnocratas, como parte de uma medida anti-corrupção. Um dividido parlamento fracassou em aprovar a proposta em meio a tumultos e protestos. 

A grande frustração sobre esse processo culminou em uma dramática incursão, no sábado, de apoiadores do clérigo xiita Moqtada al-Sadr  dentro da Zona Verde, um distrito de 10 quilômetros quadrados às margens do Rio Tigre, altamente fortificado, que abriga o governo iraquiano, muitas embaixadas e está fora dos limites para a maioria dos iraquianos desde a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003.

Sadr quer ver aprovado o governo tecnocrata proposto por Abadi, encerrando um sistema de quotas ao qual muitos relacionado à crescente corrupção no país. Poderosos partidos têm resistido à reforma, temendo o desmantelamento de suas redes de patronagem que sustentam riquezas e influência. 

  Abadi alertou que a continuação dos tumultos pode prejudicar a guerra contra o Estado Islâmico, que controla grandes faixas territoriais no norte e no oeste do Iraque. 

O manifestantes da Zona Verde fizeram uma série de demandas, pedindo, inclusive, por uma votação parlamentar para aprovar o governo tecnocrata, a renúncia do presidente, do primeiro-ministro e do presidente do parlamento, além da convocação de novas eleições. 

Se nenhuma das demandas forem atendidas, uma porta-voz dos manifestantes disse em discurso televisionado, eles recorreriam a “todos os meios legítimos” de protesto, inclusive desobediência civil. Centenas de manifestantes deixaram pacificamente a Zona Verde momentos depois.

O fim pacífico da crise aconteceu após Abadi ter realizado uma reunião com o presidente do Iraque, o presidente do parlamento e líderes partidários, que chamaram a incursão na Zona Verde de ”uma perigosa infração ao prestígio do Estado e uma evidente violação constitucional, que deve ser processada. Eles disseram que essas reuniões continuariam nos próximos dias “para garantir reformas radicais do processo político.”

Dois atentados suicidas reivindicados pelo Estado Islâmico mataram pelo menos 32 pessoas e feriram outras 75 no domingo, no centro da cidade de Samawa, sul do país, segundo médicos e policiais.

Por Stephen Kalin e Ahmed Rasheed. Reportagem adicional de Thaier al-Sudani

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