20 de Maio de 2016 / às 15:13 / em 2 anos

Tipo de Zika registrado no Brasil é confirmado pela primeira vez na África, diz OMS

GENEBRA (Reuters) - O tipo de Zika vírus registrado no Brasil, relacionado a casos de microcefalia em bebês, foi registrado pela primeira vez na África, após ser sequenciado em uma amostra de Cabo Verde, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta sexta-feira.

Mosquito Aedes aegypti 8/3/2016 REUTERS/Daniel Becerril/File Photo

“As descobertas são preocupantes porque é prova de que o surto está se espalhando para além da América do Sul e está na porta da África”, disse a diretora da OMS para a África, Matshidiso Moeti.

“Esta informação irá ajudar países africanos a reavaliar o nível de risco e adaptar ao aumento de níveis de preparação”, disse. Ela afirmou ainda que não irá recomendar restrições de viagens para tentar parar a disseminação da doença.

O Zika foi detectado pela primeira vez na África, em 1947, e até o ano passado se acreditava que causava sintomas amenos sem ligação conhecida com doenças cerebrais ou de nascença. Pesquisadores identificaram duas linhagens distintas em 2012, uma africana e outra asiática.

Até o dia 8 de maio haviam surgido 7.557 casos suspeitos em Cabo Verde, arquipélago do Oceano Atlântico cerca de 570 quilômetros a oeste do Senegal, que tem laços históricos com o Brasil.

Até o vírus ser sequenciado pelo Instituto Pasteur do Senegal, não se sabia ao certo se a epidemia era causada pelo tipo africano ou asiático, que atingiu o Brasil e outros países latino-americanos.

Moeti disse que não recomendará restrições de viagens severas para tentar deter uma disseminação maior na África, mas que defende os esforços para controlar a procriação dos mosquitos para evitar que as pessoas sejam picadas.

Bruce Aylward, responsável por epidemias e emergências de saúde da OMS, disse que ainda não se sabe se as populações africanas têm alguma imunidade ao vírus que poderia mitigar o impacto do surto de Zika no continente.

Autoridades de saúde dos Estados Unidos concluíram que infecções de Zika em gestantes podem causar microcefalia, uma má-formação craniana.

A OMS afirmou que existe um grande consenso científico de que o Zika também pode causar Guillain-Barré, uma síndrome neurológica rara que pode provocar paralisia temporária em adultos.

A conexão entre o Zika e a microcefalia veio à luz primeiramente no ano passado no Brasil, que já confirmou mais de 1.300 ocorrências de microcefalia que considera ligadas a infecções de Zika nas mães.

O Cabo Verde relatou três casos de microcefalia, e uma mãe que se acredita ter contraído Zika mais tarde teve um bebê com a moléstia nos EUA. O arquipélago ainda não informou nenhum caso de Guillain-Barré, segundo a OMS.

Reportagem de Tom Miles

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below