8 de Junho de 2016 / às 18:17 / em 2 anos

Bom desempenho de eólicas compensa seca e reduz preço spot da energia no Nordeste

SÃO PAULO (Reuters) - O bom desempenho das usinas eólicas construídas no Brasil nos últimos anos tem surpreendido e ampliado a oferta de energia do Nordeste mesmo em um momento de forte seca, o que gerou reflexos nos preços da energia no mercado spot.

Uma visão mais otimista sobre a geração das eólicas esteve por trás de uma queda de mais de 60 por cento no preço spot da eletricidade no Nordeste em maio ante abril, ainda que as chuvas nas áreas das hidrelétricas --principal fonte de geração elétrica em capacidade-- estejam em torno de apenas 30 por cento da média histórica, afirmaram especialistas à Reuters.

Isso porque o cálculo dos preços spot passou a prever a geração futura das eólicas com base no desempenho dessas usinas entre 2011 e 2015, ante o período 2010-2014 utilizado anteriormente, o que incluiu novas e mais eficientes usinas na projeção.

“Todo mês de maio há uma atualização de performance, para estimar a geração futura dessas usinas... essa alteração teve impacto porque ao longo de 2015 houve uma expansão considerável da geração eólica e a performance dessas novas usinas tem sido muito boa”, afirmou à Reuters o gerente de Preços da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Rodrigo Sacchi.

Os preços spot do Nordeste estão atualmente em cerca de 115 reais por megawatt-hora, patamar para o qual caíram em maio após passarem os primeiros meses do ano em valores bem mais altos que os praticados nas demais regiões do país, com pico de 358 reais por megawatt-hora em janeiro. No Sudeste, os preços spot estão em cerca de 61 reais por megawatt-hora.

A geração das eólicas entre 2010 e 2014 representou 36,8 por cento da capacidade instalada das usinas, contra 41,4 por cento no período 2011-2015, o que indica uma melhora no aproveitamento do potencial dos ventos para energia.

As primeiras usinas eólicas construídas no Brasil foram viabilizadas por um programa de incentivo do governo, o Proinfa, enquanto a partir de 2009 esses empreendimentos passaram a competir em leilões de energia federais.

MELHOR DO MUNDO

As novas usinas com energia vendida via leilões, que começaram a entrar em operação após 2012, têm se mostrado bem mais eficientes, o que gera expectativa de nova pressão baixista sobre os preços spot do Nordeste nas revisões de desempenho dos próximos anos, conforme elas passam a fazer parte da base de cálculo.

A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, afirmou que os leilões forçaram ganhos de eficiência devido à competição entre os investidores para implantar os parques.

“O fator de capacidade dessas novas usinas é superior a 40 por cento, enquanto na média as usinas do Proinfa estão em 32 por cento... o leilão faz com que ganhem as usinas mais eficientes, faz com que os parques sejam construídos na região com o melhor vento”, disse.

Segundo Elbia, a produtividade das eólicas no Brasil surpreendeu a própria indústria e hoje chama a atenção internacionalmente.

“O vento brasileiro, segundo os fabricantes, é o melhor do mundo para a geração eólica... é surpreendente para qualquer um lá fora se você fala sobre isso, é de fato uma coisa fora da curva.”

Neste ano, segundo a Abeeólica, a produtividade das eólicas foi inferior ao registrado em 2015 em janeiro, mas houve melhoria em fevereiro e março, até onde vão os dados do acompanhamento feito pela entidade.

“Está próximo do ano passado, mas os melhores ventos realmente começam agora, a partir de julho, agosto, o nosso pico de geração”, disse Elbia.

As usinas eólicas representam atualmente cerca de 9 gigawatts em capacidade, ou 6 por cento da matriz elétrica do Brasil. Os parques contratados pelo Proinfa, antes de os leilões de energia passarem a incluir a fonte, representam 965 megawatts, segundo a CCEE.

A Abeeólica estima que as eólicas praticamente dobrarão a capacidade instalada até 2019, para 18,8 megawatts.

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