June 13, 2016 / 1:52 PM / 2 years ago

"Alimentem pessoas, não guerras", diz papa em discurso a agência alimentar da ONU

ROMA (Reuters) - O papa Francisco repudiou nesta segunda-feira o uso da fome como uma “arma de guerra” e lamentou o fato de que é mais fácil movimentar armamentos através de fronteiras do que a ajuda necessária para manter civis vivos.

Papa Francisco durante discurso na sede do Programa Mundial de Alimentos, em Roma. 13/06/2016 REUTERS/Tony Gentile

Dias depois de agências humanitárias receberem permissão para entregar comida em Daraya, cidade sitiada da Síria, pela primeira vez desde 2012, Francisco disse que impedir que suprimentos cheguem a zonas de guerra é uma violação da lei internacional.

Em uma visita à sede do Programa Mundial de Alimentos (PMA), o papa afirmou que o mundo está diante de um “paradoxo estranho”.

“Enquanto as formas de ajuda e projetos de desenvolvimento são obstruídos por decisões políticas envolvidas incompreensíveis, visões ideológicas enviesadas e barreiras alfandegárias impenetráveis, os armamentos não são”, afirmou.

“Em alguns casos, a própria fome é usada como arma de guerra”, disse o pontífice em um discurso ao PMA, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) sediada em Roma que é a maior fornecedora de alimentos do mundo.

“(As armas) circulam com uma liberdade despudorada e virtualmente absoluta em muitas partes do mundo. Como resultado, guerras são alimentadas, e não pessoas”, disse Francisco, que critica com frequência a fabricação e o tráfico de armas.

Em janeiro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou tanto o governo sírio quanto os rebeldes de recorrerem à fome como arma, classificando a prática como um crime de guerra.

O papa argentino disse que o mundo rico está cada vez mais apático, “tornando-se imune às tragédias dos outros, vendo-as como algo ‘natural’... todas aquelas vidas humanas se tornam mais uma manchete”.

Francisco, que já criticou a especulação nas commodities alimentares na luta contra a pobreza e a fome, também repreendeu as nações ricas por seu desperdício de alimentos.

“Fizemos dos frutos da terra –uma dádiva à humanidade– commodities para poucos, com isso engendrando a exclusão. O consumismo no qual nossas sociedades estão imersas nos acostumou ao excesso e ao desperdício diário de comida”, disse.

“Temos que ser lembrados que a comida descartada é, em certo sentido, roubada da mesa dos pobres e famintos”.

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