8 de Julho de 2016 / às 14:07 / em um ano

ENTREVISTA-Magnano aposta em psicologia para Rio 2016 e lamenta falta de renovação no basquete

SÃO PAULO (Reuters) - Quinto colocado nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, o basquete masculino do Brasil aposta em um trabalho psicológico para lutar por medalha na Rio 2016 e, de acordo com o técnico Rubén Magnano, “as perspectivas são boas”, embora admita a dificuldade de chegar ao pódio.

Técnico Rubén Magnano, durante treino do basquete masculino do Brasil, em São Paulo 7/7/2016 REUTERS/Paulo Whitaker

Magnano afirmou, em entrevista à Reuters, que um dos problemas identificados na última Olimpíada foi um “bloqueio psicológico” que evitou uma reação da equipe brasileira.

“Estamos trabalhando com uma psicóloga... para que (os atletas) fiquem o melhor possível. Estamos tentando avançar nesse aspecto, há diálogos permanentes com eles. Vamos ter também atividades coletivas, sempre tentando dar um passo à frente”, disse Magnano no hotel onde a seleção está concentrada, em São Paulo, cidade em que são realizados os treinos para a Rio 2016.

O técnico argentino, campeão com sua seleção nos Jogos de Atenas-2004, contou que a preparação do Brasil leva em conta a idade dos jogadores, cuja média é de 30 anos, e lamentou que não tenha conseguido renovar a seleção como gostaria.

“Infelizmente eu tive como meta e não consegui incorporar gente jovem à seleção. Sempre estiveram presentes pedidos de dispensa, que fazem com que não se possa avaliar realmente todo o potencial que pode ter nossa seleção”, afirmou ele, admitindo decepção com as dispensas.

Uma delas é a do jogador do Chicago Bulls Cristiano Felício, que optou por não defender a seleção para se concentrar em treinamentos para a próxima temporada da NBA. Ele seria uma opção à ausência do pivô Tiago Spliter, lesionado.

Sem Spliter, o Brasil apostará nos também experientes jogadores Leandrinho, Anderson Varejão, Marcelinho Huertas e Nenê. Mas a busca por medalha será difícil, avisa Magnano.

“Nossa meta é prepara-se e entender que temos que ir de igual para igual”, disse. “Eu não posso assegurar, o pior que posso fazer é mentir e enganar as pessoas com uma esperança. Mas as perspectivas são boas”, afirmou.

“Temos que lutar duro para isso, a realidade é dura para nós, mas não fugimos à dureza dessa realidade, sabemos perfeitamente qual a realidade e vamos nos preparar para isso.”

O Brasil está no grupo “B” da Olimpíada e terá como adversários na primeira fase Lituânia, Espanha, o vencedor do Pré-Olímpico Mundial, Argentina e por último a Nigéria. A chave “A” é formada por Austrália, China, Estados Unidos, Venezuela e os vencedores do Pré-Olímpico Mundial nas posições 1 e 2.

Para Magnano, os EUA seguem sendo os favoritos mesmo com as ausências de seus principais jogadores, como LeBron James e Stephen Curry. “Apesar das dispensas que eles sofreram, os Estados Unidos têm um time um pouco acima”, afirmou ele, que citou também Espanha e Lituânia.

“MEDIANAMENTE SATISFEITO”

No cargo há seis anos, Magnano não conquistou resultados expressivos com a seleção brasileira. Foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e ficou em 5º lugar na Olimpíada de Londres, onde fez boas partidas.

O treinador reconhece um descontentamento, e só uma disputa de medalha no Rio pode amenizar essa insatisfação.

“Sou um eterno insatisfeito, sempre quero um pouco mais. Por isso vim para o Brasil. Eu gostaria muito de fazer bons Jogos Olímpicos e fazer o famoso jogo pela medalha. Chegar a esse ponto. Lutar pela medalha, aí eu ficaria medianamente satisfeito”, declarou.

Outra ponto de lamentação para Magnano é a falta de desenvolvimento do basquete no Brasil. Ele defende o aumento do número de clubes e de crianças jogando basquete, com treinos sistemáticos, e disse que não há projetos na confederação brasileira para isso.

“Tentei fazer o melhor. Algumas coisas conseguimos, outras não. Nossa visibilidade no mundo acho que foi boa, mas a parte do basquete no Brasil acho que não conseguimos acordar tanto. Tem que melhorar nossa estrutura, para que também melhore nossa seleção”, disse ele, que se sente bem recebido no país.

“Não sou um estrangeiro dirigindo o Brasil. Sou um argentino, e não é pouca coisa, mas num percentual muito alto, fui bem recebido, respeitado.”

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