18 de Julho de 2016 / às 14:12 / em um ano

Turquia amplia expurgo após tentativa de golpe e exige que EUA extraditem clérigo

ISTAMBUL/ANCARA (Reuters) - A Turquia fez um expurgo em sua polícia nesta segunda-feira depois de deter centenas de soldados na esteira de um golpe militar fracassado, e disse que pode rever sua amizade com os Estados Unidos a menos que Washington entregue um clérigo que Ancara culpa pela tentativa malsucedida de derrubar o governo.

Bandeiras turcas vistas em prédio danificado da polícia, em Ancara. 18/07/2016 REUTERS/Osman Orsal

As autoridades turcas agiram rapidamente em retaliação ao golpe da noite de sexta-feira, no qual mais de 200 pessoas morreram quando uma facção das Forças Armadas tentou tomar o poder.

Mas a justiça feita de forma veloz, que inclui clamores pela volta da pena de morte para golpistas, despertou preocupações em aliados ocidentais, que disseram que Ancara deve preservar o regime da lei no país, um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que é o aliado muçulmano mais poderoso dos EUA.

Milhares de integrantes das Forças Armadas, de soldados rasos a comandantes, foram detidos no domingo, alguns deles exibidos em fotos nas quais aparecem vestidos apenas com roupas íntimas e algemados no chão de ônibus da polícia e em uma arena esportiva.

Vários milhares de promotores e juízes também foram afastados de suas funções.

Uma autoridade de segurança de alto escalão disse à Reuters que 8 mil policiais, inclusive na capital, Ancara, e na maior cidade do país, Istambul, também foram afastados pela suspeita de laços com o fracassado golpe da semana passada.

Trinta governantes locais e mais de 50 servidores públicos de alto escalão foram igualmente destituídos, noticiou a rede CNN turca.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, disse que 7.543 pessoas foram detidas até o momento, entre elas 6.038 soldados. O funcionalismo público também está passando por um expurgo.

O premiê suspendeu nesta sexta-feira a licença anual de mais de três milhões de funcionários civis pelo país até nova ordem, de acordo com uma decisão do governo publicada nesta segunda-feira. Funcionários civis já em licença devem voltar aos seus cargos o mais rápido possível, de acordo com a decisão publicada no Diário Oficial da Turquia.

A Turquia atribui o golpe fracassado a Fethullah Gulen, clérigo residente nos EUA que tem um grande séquito em solo turco e que negou qualquer envolvimento.

Ancara exigiu que Washington o extradite, e o governo norte-americano diz estar preparado para fazê-lo, mas somente se a Turquia fornecer indícios de sua conexão com algum crime. Yildirim rejeitou a exigência.

“Ficaríamos decepcionado se nossos amigos (norte-americanos) nos pedissem para entregar provas muito embora membros da organização assassina estejam tentando destruir um governo eleito seguindo orientações dessa pessoa”, afirmou Yildirim.

“Nesta altura, poderia até haver um questionamento de nossa amizade”, acrescentou.

Yildirim disse que 232 pessoas pereceram em meio à violência da noite de sexta-feira, 208 delas civis, policiais e soldados leais ao governo, além de outros 24 golpistas.

Reportagem adicional de Alastair Macdonald e Robert-Jan Bartunek em Bruxelas, Francois Murphy em Viena, Ece Toksabay, Gulsen Solaker e Dasha Afanasieva em Ancara, Can Sezer, David Dolan, Ayla Jean Yackley and Asli Kandemir em Istambul

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