18 de Julho de 2016 / às 14:22 / em um ano

Confiança no governo francês cai e políticos são vaiados em homenagem a vítimas de Nice

PARIS/NICE (Reuters) - A confiança na capacidade do governo do presidente da França, François Hollande, para combater o terrorismo despencou na esteira do ataque com um caminhão que matou 84 pessoas em Nice, cidade da costa sul francesa, segundo uma pesquisa de opinião divulgada nesta segunda-feira.

Pessoas vistas em homenagem às vítimas de ataque em Nice. 18/07/2016 REUTERS/Pascal Rossignol

A sondagem publicada pelo jornal Le Figaro mostrou que 33 por cento dos entrevistados têm confiança na capacidade da liderança atual para enfrentar o desafio, uma queda acentuada em comparação aos 50 por cento ou mais registrados na sequência de dois grandes ataques no ano passado.

Em Nice, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, se uniu a milhares de pessoas que lotaram a avenida à beira-mar, cenário da matança no Dia da Bastilha, para um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

Pessoas vaiaram no momento em que ele e políticos locais deixaram o local. A rede BFMTV noticiou haver cartazes na multidão pedindo a renúncia de Hollande.

A pesquisa de opinião mais recente foi feita em um momento no qual, a menos de um ano de uma eleição presidencial, opositores políticos vêm abandonando rapidamente o comedimento que geralmente prevalece em tais ocasiões para criticar asperamente o mandatário socialista e seu gabinete.

O ex-presidente Nicolas Sarkozy, que irá competir em uma primária em novembro para concorrer como candidato dos partidos de centro-direita da França na votação do ano que vem, disse de domingo para segunda-feira que o governo de Hollande foi incapaz de fazer tudo que poderia ter feito.

“Sei que não existe risco zero, sei perfeitamente bem que não devemos nos agredir antes mesmo de as vítimas terem sido enterradas”, afirmou ao canal TF1 TV. “Mas quero dizer, porque é verdade, que tudo que deveria ter sido feito ao longo dos últimos 18 meses... não foi feito”.

O ataque de quinta-feira, no qual o entregador Mohamed Lahouaiej avançou com um caminhão de 19 toneladas sobre uma multidão de espectadores dos fogos do feriado, matando 84 pessoas, fez o país voltar a mergulhar em um clima de dor e medo – e agora também de recriminação política.

Embora a crítica de Sarkozy tenha sido fiel a seu caráter, as acusações de falhas do governo também vieram de seu rival conservador na disputa presidencial, Alain Juppé, que costuma ser mais comedido em sua retórica, mas que ultimamente vem sendo mais contundente.

O governo reagiu repreendendo opositores por abandonarem o decoro tão rápido.

Discursando antes do minuto de silêncio nacional desta segunda-feira, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, acusou os adversários governamentais de desrespeitarem as convenções de uma maneira indecente.

“Vimos afrontas emergirem imediatamente e, pessoalmente, isso é ao mesmo tempo chocante e triste... é indigno no contexto atual”, disse.

Enquanto ele falava, uma série de pessoas presas no decurso de um inquérito da polícia sobre o ataque em Nice chegavam a Paris sob escolta policial para serem interrogadas na sede do departamento de contraterrorismo da França, situado na periferia oeste da capital.

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