19 de Julho de 2016 / às 19:32 / um ano atrás

Erdogan visa mais de 50 mil pessoas em expurgo após golpe fracassado

ISTAMBUL/ANCARA (Reuters) - A Turquia prometeu erradicar os aliados do clérigo residente nos Estados Unidos que culpa por um golpe de Estado frustrado na semana passada, ampliando um expurgo no Exército, na polícia e no Judiciário para universidades e escolas nesta terça-feira, disseram a agência de inteligência e autoridades religiosas do país.

Fotos do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, penduradas em prédio perto da praça Taksim, em Istambul 18/7/2016 REUTERS/Ammar Awad

Cerca de 50 mil policiais, soldados, juízes, servidores públicos e professores foram suspensos ou detidos desde a tentativa de golpe, desencadeando tensões por toda a nação de 80 milhões que faz fronteira com a conflagrada Síria e é um aliado do Ocidente contra o Estado Islâmico.

“Esta organização terrorista paralela não será mais um peão eficaz de nenhum país”, disse o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, em referência ao que o governo classifica há tempos como um Estado dentro do Estado controlado por seguidores do clérigo Fethullah Gulen.

“Iremos arrancá-los pelas raízes”, afirmou ele ao parlamento.

O porta-voz do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o governo está preparando uma solicitação formal para que os EUA extraditem Gulen, que a Turquia sustenta ter orquestrado a tentativa malsucedida de tomada de poder levada a cabo por militares na sexta-feira, durante a qual ao menos 232 pessoas foram mortas.

Gulen, que tem 75 anos e vive em um exílio auto-imposto no Estado norte-americano da Pensilvânia, mas tem uma rede de apoiadores dentro da Turquia, rechaçou a iniciativa do golpe e negou qualquer participação.

Ex-aliado e hoje crítico de Erdogan, ele insinuou que o presidente armou o golpe como uma desculpa para uma repressão depois de acumular poderes de forma ininterrupta ao longo de 14 anos no governo.

Nesta terça-feira, autoridades fecharam veículos de mídia tidos como apoiadores do clérigo e disseram que 15 mil pessoas foram demitidas do Ministério da Educação, 492 do Diretório de Assuntos Religiosos, 257 do escritório do premiê e 100 agentes de inteligência.

A lira turca baixou a menos de 3 na paridade com o dólar depois que a emissora estatal TRT noticiou que todos os reitores de universidades do país receberam ordens de renunciar, o que lembrou o tipo de expurgo abrangente visto na esteira de golpes militares no passado da Turquia.

Como sinal das preocupações internacionais, o ministro do Interior do Estado alemão da Baviera disse que uma grande fissura se abriu na Turquia e que teme conflitos na grande comunidade turca de seu país.

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