27 de Julho de 2016 / às 23:12 / em um ano

Turquia dispensa militares e fecha meios de comunicação

ANCARA/ISTAMBUL (Reuters) - A Turquia dispensou quase 1.700 pessoas do quadro militar e fechou mais de 130 meios de comunicação, disseram fontes oficiais nesta quarta-feira, em meio a uma crescente repressão que provoca alarme entre seus os aliados da Otan, depois da tentativa frustrada de golpe no país neste mês.

Presidente turco Erdogan faz discurso em Ancara. 4/5/2016. REUTERS/Umit Bektas

Um total de 1.684 pessoas do quadro militar foi desonrosamente dispensado, afirmou uma autoridade de governo, citando o papel delas no golpe frustrado de 15 e 16 de julho, quando uma facção dos militares tentou derrubar o governo.

O presidente Tayyip Erdogan acusou o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, que mora dos Estados Unidos, de planejar a tentativa de golpe, e autoridades já suspenderam, dispensaram ou colocaram sob investigação mais de 60 mil soldados, policiais, professores, juízes e outros suspeitos de terem ligação com o movimento de Gulen.

Gulen nega envolvimento na tentativa de golpe.

Entre os militares que tiveram a dispensa anunciada nesta quarta-feira, 149 eram generais e almirantes, segundo a autoridade do governo. Isso representaria aproximadamente 40 por cento de todos os generais e almirantes turcos, de acordo com informações militares.

Mais ainda, o governo disse no jornal oficial que três agências de notícias, 16 canais de TV, 45 jornais, 15 revistas e 29 editoras receberam ordens para fechar.

Essas medidas, que se dão após o fechamento de outros meios de comunicação suspeitos de terem ligação com Gulen, vão alimentar ainda mais as preocupações entre grupos de defesa de direitos e governos ocidentais sobre a escala do expurgo realizado por Erdogan após o golpe.

Os EUA afirmaram nesta quarta-feira que entendiam a necessidade da Turquia de responsabilizar os autores da tentativa de golpe, mas disseram que a prisão de mais jornalistas era parte de uma “tendência preocupante”.

Mais cedo nesta quarta, a Turquia ordenou a detenção de mais 47 jornalistas como parte da repressão aos simpatizantes de Gulen.

No entanto, a lista de nomes inclui pessoas reconhecidamente de esquerda que não compartilham a visão religiosa de Gulen, aumentando as preocupações de que a repressão possa estar atingindo pessoas de forma indiscriminada simplesmente porque eles são críticos de Erdogan e do governo.

Reportagem de Tulay Karadeniz, Gulsen Solaker em Ancara, e Humeyra Pamuk e Can Sezer em Istambul

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