29 de Julho de 2016 / às 19:32 / um ano atrás

Com resultados fracos nos últimos anos, atletismo do Brasil mira bater recorde de finais no Rio

SÃO PAULO (Reuters) - O atletismo brasileiro tem como principal meta nos Jogos do Rio de Janeiro bater o recorde de finais olímpicas mirando em dez finais no Engenhão, depois de um ciclo olímpico de resultados fracos, com a única exceção do vice-campeonato mundial de Fabiana Murer no salto com vara em 2015.

Fabiana Murer disputa campeonato em Portland, nos EUA. 17/3/2016. REUTERS/Mike Blake

Fabiana, aliás, é disparada a maior esperança de medalha do atletismo na Olimpíada em casa, segundo o treinador-chefe da equipe brasileira no Rio, Ricardo D‘Angelo, que aponta ainda um grupo pequeno de atletas que correm por fora na disputa pelo pódio.

“O objetivo do Time Brasil é fazer o maior número de finais possível”, disse D‘Angelo à Reuters, acrescentando que a expectativa é de chegar a 10 finais ou até superar esse número.

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) considera como finais, para efeito de estatística, o número de vezes que atletas do país ficaram entre os oito melhores, embora em algumas provas o número de finalistas seja maior e em outras, como a maratona, não exista uma final.

De acordo com a CBAt, na história dos Jogos Olímpicos desde 1932, atletas brasileiros atingiram esse critério por 49 vezes. Nos Jogos de Londres em 2012 o Brasil obteve seu maior número de finais, cinco. O país, entretanto, não conquistou nenhuma medalha.

“De fato nesse ciclo de 2012 para cá nós tivemos só uma medalha, que foi a da Fabiana no ano passado, mas não por isso nós deixamos de trabalhar e tocar os projetos”, disse D‘Angelo.

Entre esses projetos, D‘Angelo, que também é coordenador técnico do Clube de Atletismo BMFBovespa, cita o intercâmbio entre treinadores estrangeiros e treinadores e atletas brasileiros em provas específicas. Uma experiência deste tipo ajudou a levar Fabiana a um lugar de destaque no salto com vara mundial.

O atletismo, quarto esporte que mais deu medalhas olímpicas ao país com 14 no total, deixou os Jogos de Londres em 2012 sem sequer uma medalha, resultado que voltou a se repetir no Mundial em Moscou, no ano seguinte. Somente no Mundial do ano passado, disputado em Pequim, o Brasil voltou ao pódio, com a prata de Fabiana.

A saltadora brasileira é, na avaliação de D‘Angelo, uma das favoritas a medalha no Engenhão, estádio olímpico do Rio.

A atleta de 35 anos, que não foi ao pódio em Pequim-2008, após o sumiço de uma de suas varas, e Londres-2012, depois de desistir de saltar por causa do vento, fez neste ano a melhor marca de sua carreira, 4,87 metros, a segunda melhor marca da prova neste ano.

“Nós temos outros atletas nessas condições, não com tanta consistência como a Fabiana, mas que podem vir a surpreender e alcançar o patamar de medalhas agora nas competições”, disse o treinador-chefe do Brasil.

SALTO COM VARA, MARTELO E MARCHA

Entre esses outros atletas listados por D‘Angelo está Thiago Braz, também do salto com vara, que no dia 23 de julho fez a segunda melhor marca de sua carreira, 5,90 metros, o que o deixa com a quarta melhor marca do ano na prova.

O atleta de 22 anos, no entanto, não tem tido sucesso em grandes competições internacionais. No Mundial do ano passado, quando tinha a terceira melhor marca de 2015, sequer foi à final do salto com vara.

“As razões a gente já levantou, foram uma série delas... nós tentamos corrigir para essa temporada e parece que ele está chegando em uma forma melhor que do ano passado”, disse D‘Angelo.

O treinador cita ainda Wagner Domingos, do arremesso de martelo, que tem a quarta melhor marca de 2016 na prova, e os atletas da marcha atlética Érica Sena e Caio Bonfim, que segundo D‘Angelo, têm obtido bons resultados na prova de 20km e podem, assim como Fabiana, se beneficiar da ausência dos atletas da Rússia no Rio, após a punição por conta de um escândalo de doping.

“O atletismo russo é um atletismo muito forte. Então é claro que uma ausência da Rússia em provas pontuais --marcha e salto com vara-- acaba influenciando o desempenho dos nossos atletas e, é claro, abre-se espaço para que a gente possa melhorar o nosso desempenho”, disse.

O revezamento 4x100m feminino, que o treinador vê como praticamente garantido na final da prova, e o maratonista Marílson dos Santos, quinto lugar em Londres, também foram lembrados pelo treinador-chefe do Brasil.

Apesar da delegação recorde do atletismo brasileiro, com 67 atletas, chama a atenção a falta de um representante brasileiro no salto triplo, modalidade que deu ao Brasil seis medalhas olímpicas, entre elas duas de ouro de Adhemar Ferreira da Silva em Helsinque-1952 e Melbourne-1956.

Os outros medalhistas foram Nelson Prudêncio (prata na Cidade do México-1968 e bronze em Munique-1972) e João do Pulo (bronze em Montreal-1976 e Moscou-1980).

“Isso (ausência de triplistas) para nós é muito chato, porque numa prova como essa, o Brasil é referência. Não ter representante é muito ruim, e a gente não tem nenhuma justificativa para isso”, disse D‘Angelo.

“Nós temos bons saltadores, não tiveram uma boa temporada, estamos numa fase de transição. Em 2014, nós tivemos um atleta medalhista no Mundial juvenil, o Matheus Sá foi medalha de bronze no Mundial Juvenil.”

Apesar da escassez de grandes resultados recentes, D‘Angelo avalia que o trabalho que tem sido realizado pela CBAt tem dado frutos e aponta como prova disso a delegação recorde do país nos Jogos, apesar de a Associação de Federações Internacionais de Atletismo (Iaaf) ter tornado mais rígidos os índices de classificação para os Jogos.

“Esse modelo ainda não se transformou em resultado concreto, mas nós temos que dar outro dado... Para os Jogos Olímpicos, embora a federação internacional tenha apertado os índices, nós conseguimos fechar uma equipe de 67 atletas, sendo que aproximadamente 48 a 50 atletas alcançaram índices em provas individuais”, disse.

“Isso é uma informação importante, porque mostra a evolução técnica. Agora, eu concordo que isso tem que se transformar em resultado concreto, em medalhas, em finais”, reconheceu.

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