18 de Agosto de 2016 / às 14:57 / em um ano

Veteranos da Rio 2016 ensinam lições da meia idade a jovens

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um grupo de atletas no Rio descobriu o segredo para melhorar o desempenho, e não tem nada a ver com doping.

Ciclista norte-americana Kristin Armstrong. 10/08/2016 REUTERS/Matthew Childs

Chama-se envelhecimento – um processo por meio do qual os atletas se tornam mais sábios e concentrados e conquistam medalhas e corações nos Jogos Olímpicos.

O grupo de veteranos da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016 está estabelecendo um novo padrão e mudando a visão distorcida segundo a qual as competições de alto nível são para homens e mulheres jovens.

“Passamos muito tempo ouvindo que, a partir de uma certa idade, estamos acabados”, disse a ciclista norte-americana Kristin Armstrong, que aos 42 anos se tornou a mulher mais velha a levar um ouro olímpico na prova individual feminina de contrarrelógio.

“Os atletas estão mostrando que isso não é verdade”.

Embora a idade média dos competidores na Rio 2016 seja de 26,97 anos, um pequeno aumento em relação aos 25,85 anos de duas décadas atrás em Atlanta, o Comitê Olímpico Internacional (COI) diz que vê atletas mais velhos se saindo melhor nos Jogos, mesmo nos esportes considerados como privilégio de competidores jovens e mais flexíveis.

“De fato vemos, especialmente em esportes de resistência, atletas mais velhos sendo bem-sucedidos, muito mais do que no passado”, disse o porta-voz do COI, Mark Adams. “E isso é ótimo. É para ser saudado. Isso dá esperança a todos nós”.

Em uma das provas de resistência mais difíceis, a maratona aquática de 10 quilômetros em mar aberto, o grego Spiros Gianniotis, de 36 anos de idade, chegou à linha de chegada na terça-feira ao mesmo tempo em que Ferry Weertman, de 24 anos, mas demorou para tocar na tábua e ficou com a prata.

“Depois de cinco Olimpíadas e aos 36 anos, acho que é a melhor maneira de me aposentar”, disse Gianniotis.

O argentino Santiago Lange, de 54 anos de idade, o velejador mais velho dos Jogos, ficou com o ouro na classe mista de catamarã Nacra 17. Hoje um veterano de sete Jogos Olímpicos, ele perdeu meio pulmão para um câncer no ano passado e é uma inspiração para sua colega de equipe, Cecilia Carranza Saroli.

“Toda vez que ouço Santi falar fico comovida, ele transmite os valores do esforço e da perseverança”, disse Cecilia.

Reportagem adicional de Martyn Herman, Dan Flynn, Caroline Stauffer, Angus MacSwan, Drazen Jorgic e Jeb Blount

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