August 29, 2016 / 11:47 AM / in 2 years

Sarkozy diz que mudaria Constituição da França para proibir burquínis

PARIS (Reuters) - O ex-presidente francês Nicholas Sarkozy disse nesta segunda-feira que mudará a Constituição do país para proibir o traje de banho de corpo inteiro conhecido como burquíni se for eleito na eleição presidencial de abril do ano que vem.

Mulher vista usando burkini em praia em Marselha, França. 17/08/2016 REUTERS/Stringer

Posicionando-se como um defensor dos valores da França e rígido com a imigração, o candidato conservador disse na semana passada que imporia uma proibição de âmbito nacional ao burquíni, depois que a vestimenta dividiu o governo liderado pelos socialistas e dominou o debate político francês durante a maior parte do mês de agosto.

Na sexta-feira o principal tribunal administrativo da França suspendeu uma proibição ao burquíni que havia sido adotada em uma dezena de cidades costeiras sob o argumento de que o traje viola liberdades fundamentais.

A proibição ao uso do burquíni expôs as dificuldades da França secular com a tolerância religiosa na esteira dos ataques de militantes islâmicos nos últimos meses. Imagens de policiais armados aparentemente obrigando uma mulher em uma praia de Nice a se despir parcialmente para cumprir a determinação aumentaram a polêmica.

As proibições vinham sendo justificadas como questões de ordem pública, e o primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, pareceu defender as autoridades municipais que as impuseram.        

Depois que a corte as descartou, porém, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, disse que uma lei contra a vestimenta seria considerada inconstitucional.

Indagado sobre esse risco, Sarkozy respondeu: “Bem, então mudamos a constituição. Nós já a mudamos trinta e tantas vezes, não tem problema”.

Segundo pesquisas de intenção de voto, Sarkozy está tendo dificuldade para se aproximar do rival Alain Juppé, um ex-premiê de modos suaves e mais centrista, antes das eleições primárias do partido Republicanos no final de novembro.

Cazeneuve, que iria se encontrar com líderes muçulmanos franceses nesta segunda-feira para apaziguar as tensões religiosas, disse que irá indicar o político veterano Jean-Pierre Chevènement para presidir um organismo independente encarregado de tratar das relações entre o Estado e os representantes religiosos muçulmanos.

Por Leigh Thomas e Myriam Rivet

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