August 31, 2016 / 9:22 PM / 2 years ago

BC mantém juros em 14,25% ao ano e não fala mais em falta de espaço para reduções

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano e retirou de seu comunicado a expressão de que não há espaço para corte de juros, usada nos últimos meses, o que pode alimentar apostas de que a flexibilização pode estar mais próxima do que o esperado.

No lugar, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC disse que “uma flexibilização das condições monetárias dependerá de fatores que permitam maior confiança no alcance das metas para a inflação nos horizontes relevantes para a condução da política monetária, em particular da meta de 4,5 por cento em 2017”.

O Copom acrescentou que pelo cenário de referência a projeção para a inflação de 2017 continua em torno de 4,5 por cento e, pelo cenário de mercado, recuou a 5,1 por cento, sobre 5,3 por cento antes.

Em pesquisa Reuters, todos os 39 economistas consultados previram que o BC manteria a Selic neste patamar desde julho de 2015.

“Parece um BC mais construtivo e enxergando uma luz no fim do túnel”, afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. “Ele pode preparar, a depender dos dados, um corte de juros em outubro (no próximo encontro do Copom)”, acrescentou a economista.

A expectativa dos agentes econômicos era, de modo geral, que o BC cortasse juros em novembro, no último encontro do Copom do ano. Segundo o Focus, que ouve uma centena de economistas toda semana, a expectativa é que a Selic feche 2016 a 13,75 por cento ao ano —com corte de 0,5 ponto em novembro— e a 11,25 por cento em 2017.

O BC vinha apontando que não havia espaço para cortar os juros diante do cenário de inflação, marcado sobretudo pela pressão nos preços de alimentos, incerteza sobre resoluções no fronte fiscal e possibilidade de reforço em mecanismos inerciais em função da permanência da inflação em nível elevado.

Na decisão de agora, o BC ressaltou que índices de preços no atacado já indicam “possível arrefecimento do choque de preços de alimentos e um eventual efeito favorável sobre o IPCA”. Além disso, vê que os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais rápida, melhorando a confiança e reduzindo as expectativas de inflação. Também destacou que o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom.

Do outro lado, ainda reconheceu que a inflação está acima do esperado no curto prazo, que há incertezas sobre a aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia e que o período longo de inflação elevada pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial do país, subiu 8,95 por cento em 12 meses até agosto, muito acima da meta de inflação para este ano —de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Pelo Focus, as estimativas para a inflação são de 7,34 por cento neste ano e de 5,14 por cento em 2017.

Por Patrícia Duarte

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