8 de Setembro de 2016 / às 01:24 / em um ano

Temer é alvo de vaias e protesto na abertura da Paralimpíada no Maracanã

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente Michel Temer ficou o menos exposto possível na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio na noite desta quarta-feira no Maracanã, mas mesmo assim ouviu vaias e gritos de protesto da arquibancada ao anunciar oficialmente aberta a Paralimpíada de 2016.

Cerimônia de abertura da Paralimpíada do Rio, no Maracanã. 07/09/2016 REUTERS/Jason O'Brien

Assim como na abertura da Olimpíada, quando ainda era interino, Temer não foi anunciado no início da cerimônia desta quarta, e só teve seu nome citado ao ser chamado pelo presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Philip Craven, para declarar a abertura dos Jogos, na parte final do evento.

A breve declaração de Temer foi feita sob vaias e não pôde ser ouvida por completo, e a imagem do presidente sequer apareceu nos telões do estádio. Logo em seguida um setor da arquibancada gritou “Fora, Temer!”, mas o protesto foi ofuscado pelos fogos de artifício.

Espectadores também vaiaram os discursos de Craven e do presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, quando ambos fizeram agradecimentos ao governo federal pelo apoio para a organização dos Jogos. A fala de Nuzman chegou a ser interrompida, em meio a vaias e a aplausos em resposta.

Antes mesmo do início da cerimônia parte do público já havia gritado “Fora, Temer!” nas arquibancadas do Maracanã, e ao menos um espectador abriu uma faixa com a mesma frase. O presidente, no entanto, ainda não havia chegado à tribuna das autoridades de onde assistiu à abertura.

Além das vaias e do protesto, Temer foi descrito no guia da cerimônia entregue para os jornalistas como presidente em exercício, apesar de ter sido efetivado no cargo na semana passada. De acordo com o Comitê Rio 2016, quando o guia ficou pronto ainda não estava claro quando terminaria o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

CERIMÔNIA CARIOCA

Em um estádio lotado, a cerimônia de abertura da Paralimpíada começou já de forma arrebatadora, com o norte-americano Aaron Wheelz descendo de cadeira de rodas uma mega rampa de skate com 17 metros de altura, o equivalente a um prédio de seis andares, montada do alto da arquibancada até o gramado.

Parceiro do skatista brasileiro Bob Burnquist, que participou da construção da rampa no Maracanã, Wheelz nasceu com uma má-formação que impossibilita o movimento das pernas, mas ficou famoso internacionalmente por se arriscar em manobras radicais com a cadeira de rodas.

Fundamentais na vida de milhões de pessoas com deficiência, e equipamento esportivo de atletas paralímpicos de diversas modalidades, as cadeiras de roda fizeram parte de uma homenagem à roda. Tradição da cultura carioca, uma roda de samba foi montada no centro do gramado com a presença de músicos como Monarco e Maria Rita.

Outro ícone do Rio, a praia também invadiu o palco montado sobre o gramado através de uma projeção da areia e do mar, com artistas representando os banhistas e os vendedores ambulantes, com destaque para o mate e o biscoito polvilho, ao som de funk. Houve aplausos para a encenação do pôr do sol na praia do Arpoador.

O hino nacional foi executado pelo maestro João Carlos Martins, que tem movimentos limitados nas mãos em decorrência de problemas neurológicos.

A entrada dos milhares de atletas que vão participar da Paralimpíada foi acompanhada pela montagem de um quebra-cabeça com imagens de todos os competidores dos Jogos, que no final formou um coração. A obra foi idealizada por Vik Muniz, diretor criativo da cerimônia e conhecido pela linguagem de mosaicos.

A delegação brasileira, última a entrar no campo, foi liderada pela porta-bandeiras Shirlene Coelho, campeã paralímpica em 2012 do arremesso de dardo, que competirá no Rio nas provas de arremesso de peso, de disco e de dardo.

Em um determinado momento da festa todas as luzes do Maracanã se apagaram para simular um blecaute e surgiram feixes de luz para orientar as pessoas, reproduzindo o movimento dos deficientes visuais com suas guias ao caminhar diariamente.

Houve emoção também quando a bailarina norte-americana com deficiência física Amy Purdy fez um dueto de dança com um robô industrial ao som de “Borandá”, de Edu Lobo, tocada por Sergio Mendes. Amy, que é atleta paralímpica de snowboard nos Jogos de Inverno, dançou com as próteses metálicas à mostra, numa demonstração da sincronia entre homem e tecnologia.

A cerimônia foi encerrada sob chuva, com a entrada da chama paralímpica, sendo conduzida pelo ex-corredor paralímpico Antônio Delfino. Segunda condutora dentro do estádio e caminhando com a ajuda de uma muleta, a ex-atleta Márcia Malsar levou um tombo e deixou a tocha cair, mas se levantou para continuar seu trajeto, sob ovação do público.

A tocha ainda passou pelas mãos de Ádria Rocha até ser entregue ao nadador multicampeão Clodoaldo Silva, que foi o escolhido para acender a pira.

Assim como na Olimpíada, o fogo da pira será levado para uma outra pira que foi montada na revitalizada região portuária do Rio, uma vez que o Maracanã não é o principal estádio esportivo dos Jogos.

A Paralimpíada do Rio acontece até o dia 18 de setembro.

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