September 9, 2016 / 1:17 PM / 2 years ago

Alimentos perdem fôlego e IPCA desacelera alta em agosto

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Os preços dos alimentos desaceleraram e ajudaram a inflação oficial a perder força em agosto, mantendo a porta aberta para um corte na taxa básica de juros.

Consumidor observa preços em supermercado no Rio de Janeiro, Brasil 06/05/2016 REUTERS/Nacho Doce

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,44 por cento em agosto, após subir 0,52 por cento em julho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas apesar da folga na comparação mensal, essa é a taxa mais alta para meses de agosto desde 2007, quando o IPCA subiu 0,47 por cento.

Além disso, a alta acumulada em 12 meses até agosto aumentou para 8,97 por cento, contra 8,74 por cento no período até julho, muito acima do teto da meta —de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

“Mesmo com desemprego, menos demanda, menor renda e economia devagar, ainda há um resistência da inflação provocada basicamente por pressão de custos”, explicou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, citando o dólar e os efeitos do clima sobre os alimentos.

O resultado de agosto se deveu principalmente ao grupo Alimentação e Bebidas, cujos preços subiram 0,30 por cento no mês passado, após alta de 1,32 por cento em julho.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o IPCA apresentasse alta de 0,44 por cento no mês e subisse 8,98 por cento em 12 meses.

FEIJÃO

O feijão-carioca, que exerceu forte pressão nos últimos meses, caiu 5,60 por cento e ajudou no alívio dos preços de alimentos. Ainda assim, acumula no ano alta de 136,57 por cento, segundo o IBGE.

Artigos de Residência, com alta de 0,36 por cento; Transportes, com avanço de 0,27 por cento; e Comunicação com recuo de 0,02 por cento, também apresentaram desaceleração em agosto.

Na outra ponta, os grupos Educação e Despesas Pessoais, com altas de respectivamente de 0,99 e 0,96 por cento, apresentaram as taxas mais elevadas no mês.

Na semana passada, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano —mesmo patamar há mais de um ano— e todos os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) mostraram satisfação com o progresso nas perspectivas de desinflação.

Na ata da reunião, eles deixaram claro que a decisão sobre a redução nos juros básicos não levará em conta um único fator, abrindo o caminho para um corte na Selic já no próximo mês.

“A esperada reversão do choque da alta de alimentos deve contribuir para melhorar o equilíbrio de riscos para a inflação e permitir que o banco central comece a gradualmente afrouxar a postura monetária antes do final do ano”, disse em nota o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

Com o BC reforçando uma postura dura no combate à inflação, economistas projetam alta de 7,34 por cento do IPCA este ano mas uma forte desaceleração a 5,12 por cento em 2017, de acordo com a pesquisa Focus da autoridade monetária com uma centena de economistas.

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