9 de Setembro de 2016 / às 18:06 / em um ano

Notas manuscritas de assessor de Bush revelam drama do 11 de Setembro no avião presidencial

Em foto de arquivo, a segunda torre do World Trade Center pega fogo após ter sido atingida por um avião sequestrado em Nova York 11/9/2001 REUTERS/Sara K. Schwittek/Files

WASHINGTON (Reuters) - Récem-publicadas, as notas manuscritas de um bloco de anotações de Ari Fleischer, secretário de imprensa do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush proporcionam um relato textual do choque, da dor e da determinação feroz a bordo do Força Aérea Um, o avião presidencial, no dia 11 de setembro 2001.

A publicação se dá para marcar no domingo o 15º aniversário do pior ataque em solo norte-americano desde que forças japonesas bombardearam Pearl Harbor em 1941.

Ao todo são seis páginas, a única transcrição original e integral do que Bush disse no Força Aérea Um enquanto ele e seus principais assessores absorviam a notícia.

“Estamos em guerra”, disse Bush ao vice-presidente, Dick Cheney. Desligando o telefone e se voltando para seus assessores, ele acrescentou: “Quando descobrirmos quem fez isto, eles não irão gostar de mim como presidente. Alguém vai pagar por isto.”

Fleischer assumiu a função de tomar notas do presidente no momento em que o Força Aérea Um decolou da Flórida na esteira dos ataques às Torres Gêmeas em Nova York e ao Pentágono, realizados com aviões de passageiros sequestrados.

“Sempre tomei notas. É assim que se faz esse trabalho”, disse Fleischer à Reuters. “Mas no 11 de Setembro ficou claro instantaneamente o quão mais importante era ter um registro do que o presidente fez e disse. Eu basicamente me grudei ao lado dele quase o dia todo e continuei em sua cabine no Força Aérea Um para escutar e tomar notas.”

Grande parte do material já se tornou parte dos registros públicos. Fleischer tem usado o material para tuítes anuais sobre o 11 de Setembro e em discursos, além de disponibilizá-lo à comissão que investigou os ataques, mas ainda não havia liberado a íntegra para o público.

A história que se desenrola nas anotações de Fleischer começa com as emoções cruas que Bush e seus assessores experimentaram, como a ansiedade do mandatário para retaliar. 

“Mal posso esperar para descobrir que fez isso”, disse Bush. “Vai levar algum tempo, e não vamos aceitar nenhuma babaquice de pegar leve.”

Há um período dramático durante o qual Bush tenta vencer a oposição do Serviço Secreto para poder voltar a Washington. A princípio o avião o levou à base da Força Aérea de Barksdale, na Louisiana, e depois para a base aérea de Offutt, no Nebraska. Ele retornou a Washington naquela noite.

“Quero ir para casa o mais cedo possível”, afirmou Bush. “Não quero que quem quer que seja me mantenha longe de Washington.”

Um assessor respondeu: “Nossa equipe está dizendo que ainda é muito incerto.”

Bush disse que essa era a mesma mensagem que estava recebendo de Cheney. Seu chefe de gabinete, Andy Card, disse: “O certo é deixar a poeira abaixar.”

As notas de Fleischer incluem uma referência enigmática a uma comunicação ouvida no avião, vinda do solo, dizendo que “o anjo é o próximo”. Como o codinome do Força Aérea Um na ocasião era “anjo”, surgiu o temor a bordo de que a aeronave presidencial fosse um alvo.

Um mês depois, Bush e sua equipe souberam que a referência ao “anjo” foi uma comunicação equivocada do solo.

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