26 de Setembro de 2016 / às 13:47 / em um ano

Atletas olímpicos dos EUA punidos por gesto de protesto em 1968 serão recebidos na Casa Branca

(Reuters) - Tommie Smith e John Carlos, os dois afro-norte-americanos mandados de volta para casa durante a Olimpíada de 1968 por terem protestado no pódio erguendo o punho, terão nesta semana um momento de redenção longamente aguardado em um evento da delegação olímpica dos Estados Unidos na Casa Branca.

Tommie Smith e John Carlos durante premiação na Califórnia. 16/07/2008 REUTERS/Danny Moloshok/Files

Os dois foram convidados pelo Comitê Olímpico dos EUA para comparecerem a um jantar de gala na quarta-feira em Washington em homenagem à delegação olímpica de 2016, e a acompanharem a equipe quando esta se encontrar com o presidente dos EUA, Barack Obama, na Casa Branca no dia seguinte, disse Carlos à Reuters no domingo.

A imagem de Smith e Carlos, medalhistas de ouro e bronze na prova dos 200 metros na Cidade do México, erguendo os punhos enluvados se tornou um símbolo duradouro da luta pela igualdade racial.

Seu exemplo veio à tona diversas vezes nas últimas semanas como inspiração para jogadores afro-norte-americanos da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) e jogadores universitários que vêm protestando contra a injustiça racial após mortes a tiros de vários negros causadas por policiais.

Smith e Carlos pagaram um preço alto por seu protesto, não somente com o Comitê Olímpico, mas também no tribunal da opinião pública.

“Era contra a carta do Comitê Olímpico fazer um pronunciamento político no pódio da vitória”, disse Carlos em uma entrevista por telefone. “Mas sentimos que era o único lugar no qual podíamos fazer o pronunciamento na época”.

Usando meias pretas, os dois atletas abaixaram a cabeça e ergueram os pulsos no ar durante a execução do hino dos EUA, chocando o mundo e muitos norte-americanos que ainda se recuperavam de um ano turbulento para a luta por direitos civis. Eles foram suspensos da delegação olímpica dos EUA e enviados de volta ao seu país.

O gesto foi interpretado amplamente como uma saudação ‘black power’, mas os esportistas mais tarde o descreveram como “uma saudação aos direitos humanos”.

Carlos disse que não quer, e nem espera, uma desculpa explícita do Comitê Olímpico por mandá-lo, e ao colega Smith, de volta para casa, porque suas ações foram uma violação clara de uma regra.

Ele disse, porém, que, ao longo do tempo, e pelo fato de sua saudação de punhos erguidos ter se tornado uma espécie de precedente, as autoridades olímpicas dos EUA passaram a ter uma compreensão melhor das razões por trás do protesto.

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