7 de Outubro de 2016 / às 14:57 / em um ano

Presidente da Colômbia ganha Nobel da Paz, em incentivo a negociação com as Farc

OSLO/BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ganhou o prêmio Nobel da Paz de 2016 nesta sexta-feira por seus esforços para encerrar uma guerra de 52 anos com os guerrilheiros das Farc, uma escolha surpreendente e uma demonstração de apoio dias após os colombianos terem rejeitado um acordo de paz assinado por Santos com os rebeldes.

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, posa para foto após entrevista com a Reuters. 21/09/2016 REUTERS/Andrew Kelly

O Comitê Norueguês do Nobel disse que Santos deixou uma das guerras civis mais longevas da história moderna significativamente mais perto de uma solução pacífica, mas que ainda existe o perigo de o processo de paz desmoronar.

O prêmio excluiu o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timochenko, que firmou o acordo de paz com Santos em Cartagena no dia 26 de setembro.

Santos prometeu ressuscitar o plano, embora seus conterrâneos o tenham rejeitado por uma pequena margem em um referendo no domingo. Muitos eleitores consideraram o pacto leniente demais com os combatentes das Farc.

“Existe um perigo real de o processo de paz se deter e a guerra civil ressurgir. Isso torna ainda mais importante que as partes... continuem a respeitar o cessar-fogo”, disse o Comitê Norueguês do Nobel.

“O fato de que a maioria dos eleitores disse ‘não’ ao acordo de paz não significa necessariamente que o processo de paz esteja morto”, acrescentou o comitê.

Mais de 220 mil pessoas morreram no campo de batalha ou em massacres durante o conflito entre as guerrilhas esquerdistas, tropas do governo e paramilitares de direita.

Milhões de pessoas foram deslocadas e muitas mendigam nas ruas da capital, e o potencial econômico da nação tem sido contido em decorrência da violência.

“Agradeço infinitamente, de todo coração, esta distinção honrosa, não em meu nome, mas em nome de todos os colombianos, e especialmente das milhões de vítimas deixadas pelo conflito que sofremos por mais de 50 anos”, disse Santos, de 65 anos, em uma breve declaração.

“Graças a Deus a paz está próxima. A paz é possível”, acrescentou.

Indagada por que Londoño foi excluído do prêmio, a líder do comitê do Nobel, Kaci Kullmann Five, afirmou que Santos foi essencial para o processo.

“O presidente Santos vem tomando a primeira e histórica iniciativa. Houve outras tentativas, mas desta vez ele foi com tudo como líder do governo, com uma vontade forte de obter um resultado. É por isso que demos ênfase ao presidente”, disse.

A líder do comitê não quis entrar em detalhes sobre o papel de Londoño, que parabenizou Santos pelo Twitter e agradeceu os países que apoiaram o processo, entre eles Cuba e Venezuela.

“O único prêmio ao qual aspiramos é o da paz com justiça social para uma Colômbia sem paramilitarismo, sem retaliações nem mentiras”, escreveu o líder guerrilheiro em sua conta pessoal no Twitter após a concessão da honraria a Santos.

Santos é primeiro latino-americano a receber o Nobel da Paz desde a ativista guatemalteca de direitos indígenas Rigoberta Menchu em 1992, e o segundo colombiano a ser laureado com um Nobel, depois que o escritor Gabriel García Márquez recebeu o prêmio de literatura em 1982.

O prêmio Nobel da Paz, no valor de 930 mil dólares, será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro.

Reportagem adicional de Joachim Dagenborg, Gwladys Fouche, Terje Solsvik e Alister Doyle, em Oslo, e Tom Miles, em Genebra

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