October 11, 2016 / 2:12 PM / in 2 years

Ex-refém do Estado Islâmico dedica prêmio de direitos humanos a mulheres perseguidas

Por Temesghen Debesai

Nadia Murad Basee Taha em acampamento para imigrantes e refugiados na fronteira entre Grécia e Macedônia. 03/04/2016 REUTERS/Marko Djurica

LONDRES (Thomson Reuters Foundation) - Uma mulher yazidi que foi estuprada e mantida refém por militantes do Estado Islâmico no Iraque prestou homenagem às mulheres perseguidas e às vítimas do tráfico humano em todo o mundo ao receber um prêmio de direitos humanos do Conselho da Europa.

Nadia Murad Basee Taha se tornou a quarta ganhadora do Prêmio de Direitos Humanos Vaclav Havel por trabalhar para despertar a atenção mundial para a escravidão de mulheres e crianças de sua comunidade.

“Gostaria de dedicar este prêmio a todas as mulheres de todo o mundo que são perseguidas e às milhares de mulheres e crianças yazidi que estão vivendo no inferno do Daesh (Estado Islâmico) há dois anos”, disse Taha por meio de um intérprete.

    Ela também dedicou o prêmio às duas mil mulheres yazidi que escaparam da escravidão do Estado Islâmico.

    “Isto irá me dar uma força renovada para continuar a seguir adiante na luta contra o extremismo em todas as suas manifestações”, disse Taha ao aceitar a honraria, batizada em homenagem ao falecido dramaturgo e ativista de direitos humanos que se tornou presidente da República Tcheca.

    Taha foi sequestrada pelo Estado Islâmico no Iraque em agosto de 2014 e levada ao bastião do grupo em Mosul, onde ela e milhares de outras mulheres e crianças yazidi foram trocadas pelos militantes como se fossem presentes.

    Ela foi torturada e estuprada repetidamente até conseguir fugir, três meses mais tarde.

    A ativista já visitou Egito, Grécia, Kuweit, Noruega, Estados Unidos e Reino Unido para conscientizar as pessoas sobre o sofrimento dos yazidis.

    Nomeada embaixadora da boa vontade da Organização das Nações Unidas (ONU) para vítimas do tráfico humano no mês passado, Taha vem exortando a comunidade internacional a fazer mais para levar os militantes jihadistas à Justiça.

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