18 de Maio de 2017 / às 13:05 / 5 meses atrás

Aécio é afastado do mandato de senador e terá pedido de prisão julgado pelo STF

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou o afastamento de Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato de senador e encaminhou ao plenário da corte um pedido de prisão do parlamentar apresentado pela Procuradoria-Geral da República, disseram fontes com conhecimento das decisões.

Senador Aécio Neves (PSDB-MG) antes de evento em Brasília. 08/10/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

As medidas foram tomadas depois que Aécio, que é o presidente do PSDB, foi gravado pedindo 2 milhões de reais ao empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, segundo reportagem do jornal O Globo na quarta-feira confirmada à Reuters por três fontes.

Aécio é alvo nesta quinta-feira de operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados a ele no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, além de seu gabinete no Congresso Nacional, em ações que são desdobramento da operação Lava Jato.

A irmã e assessora de Aécio, Andrea Neves, também é alvo de pedido de prisão, de acordo com uma das fontes.

Imagens da emissora de televisão Globonews nesta quinta-feira de manhã mostraram agentes da PF entrando em um prédio de frente para a praia de Ipanema onde Aécio tem um apartamento. O local estava vazio e a polícia precisou da ajuda de um chaveiro para ingressar.

Agentes da PF também se dirigiram a endereços do senador em Minas Gerais, incluindo uma casa e um apartamento, de acordo com imagens da Globonews.

A Polícia Federal também cumpriu mandados nesta manhã no Congresso Nacional, onde faz buscas nos gabinetes de Aécio, do também senador Zezé Perrela (PMDB-MG) e do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), de acordo com a Globonews.

Um ex-assessor do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) também está entre os alvos da ação no Rio de Janeiro, segundo a emissora.

Agentes da PF também realizam buscas no gabinete da Procuradoria-Geral Eleitoral, que fica no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o STF decretou a prisão de um procurador da República que atua perante a Corte.

Procurada, a Polícia Federal disse que irá se manifestar “assim que for possível”.

Segundo reportagem do jornal O Globo de quarta-feira, confirmada pela Reuters com três fontes com conhecimento do assunto, o empresário Joesley Batista gravou um pedido de dinheiro de Aécio e a cena foi filmada pela Polícia Federal.

Aécio, que até recentemente era apontado como possível candidato à Presidência nas eleições de 2018, já teve o nome mencionado em delações da Lava Jato e tem perdido força quando se trata da disputa nacional, o que deve se agravar com a nova ação.

Em nota sobre a reportagem, o senador disse estar “absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos” e afirmou que sua relação com o empresário era “estritamente pessoal”.

A reportagem de O Globo também afirma que Joesley Batista gravou uma conversa com o presidente Michel Temer em que o presidente dá aval para a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha. Na conversa, Temer também indica, segundo o jornal, ao empresário o deputado Rocha Loures para resolver um assunto da J&F, holding que controla a JBS.

Loures, de acordo com o jornal, foi filmado recebendo 500 mil reais enviados por Joesley. Em nota, a assessoria do deputado disse que ele estava fora do país e que, quando retornar, o que deve acontecer nesta quinta-feira, “deverá se inteirar e esclarecer os fatos divulgados”.

Temer, também em nota, negou que tenha pedido o pagamento para conseguir o silêncio de Cunha ou tenha autorizado qualquer movimento nesse sentido. “O presidente jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”, disse a assessoria de imprensa da Presidência.

Reportagem adicional de Ricardo Brito, em Brasília; Reportagem adicional e texto de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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