May 18, 2017 / 1:40 PM / a year ago

REEDIÇÃO-Temer deve fazer pronunciamento para explicar acusações de Joesley Batista, dizem fontes

(Republica texto para corrigir grafia do nome do empresário Joesley Batista)

Presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto. 12/05/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Lisandra Paraguassu e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer deve fazer um pronunciamento ainda nesta quinta-feira para tentar explicar as acusações de que teria autorizado o empresário Joesley Batista a manter o pagamento de uma mesada para que o ex-deputado Eduardo Cunha mantivesse silêncio sobre denúncias contra o governo, disseram à Reuters fontes palacianas.

O governo ainda avalia quando Temer faria esse pronunciamento e o cenário para isso. Alguns auxiliares do presidente acreditam que é preciso avaliar o decorrer do dia para verificar se uma tentativa de explicação do presidente ajudaria ou pioraria o cenário.

O presidente, que havia acertado uma agenda cheia, com reuniões a cada meia hora com quase 20 parlamentares, em uma tentativa de mostrar normalidade, derrubou todos as reuniões depois do primeiro encontro, às 8h da manhã, com o senador Sérgio Petecão (PSD-AC).

Temer está reunido com seus principais assessores no Palácio do Planalto – o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, além do secretário de Comunicação, Marcio Freitas, para avaliar a crítica situação do governo. De acordo com uma das fontes, a palavra “renúncia” ainda não está circulando no Planalto, mas a preocupação com o grau de comprometimento do governo é altíssimo.

“O governo saiu do melhor momento para seu pior momento em segundos”, disse uma das fontes. “Você tinha a oposição dando como certa reforma trabalhista e previdenciária e agora você vai para um cenário de incerteza até restabelecer o normalidade com a transparência dos fatos”.

Dentro do Planalto, apesar do clima pesado, auxiliares de Temer ainda tentam vender a ideia de que as reformas são necessárias ao país, e não uma agenda de governo. Na madrugada de quarta para quinta-feira, depois de reunião com o presidente, vários ministros - Padilha, Moreira Franco e Imbassahy - gravaram vídeos para tentar manter o clima. “O Brasil não pode e não vai parar”, disse Padilha em seu vídeo.

No entanto, reconhece uma das fontes, claramente haverá dificuldades de segurar uma base que já não era sólida para garantir a votação das reformas. Até agora o governo não tinha garantidos os votos para a Previdência, como o próprio presidente havia admitido.

“Não dá ainda para fazer um cálculo sobre nada”, disse outra fonte. “A reação é negativa do mercado e agora em o próprio Congresso. Temos que segurar um pouco, ver o que vai acontecer até restabelecer a normalidade”.

O governo tem dificuldade de ainda reagir às denúncias. “Precisamos ver o que o Supremo vai dizer, porque essa parte do presidente não está homologada. Precisamos ver exatamente o que está lá. O presidente está muito convicto que não cometeu nenhuma irregularidade, mas isso tem que ficar transparente para os olhos de todo o mundo. Difícil se defender de algo que você não sabe o que é”, disse uma das fontes.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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