31 de Agosto de 2017 / às 17:59 / em 2 meses

Agravamento de crise alimentar faz Venezuela perder jovens talentos do beisebol

CARACAS (Reuters) - Jovens jogadores de beisebol oriundos de famílias pobres da Venezuela não estão recebendo a nutrição de que precisam para realizar o sonho de atuar profissionalmente nos Estados Unidos, e a falta de alimentos aguda está acabando com uma das poucas formas de se escapar da pobreza no país em recessão.

Campeonato infantil de beisebol em Caracas 24/08/2017 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

A Venezuela é o lar de astros do esporte, como Miguel Cabrera, do Detroit Tigers, e José Altuve, do Houston Astros, e as academias de beisebol da nação sul-americana, operadas por agentes, devem continuar a encaminhar talentos promissores a olheiros de grandes times.

Mas a escassez de alimentos está cobrando seu preço, e meninos desnutridos de famílias de baixa renda estão perdendo acesso às academias, que se tornaram a única maneira de garantir o tipo de dieta necessária para se preparar um jogador de nível mundial.

Agentes e olheiros dizem que as escolas de beisebol de tempo integral já estão se deparando com um elenco de talentos menor porque mesmo aos 13 anos de idade as crianças de famílias pobres não são fortes o suficiente para brigar por uma vaga com seus companheiros mais bem alimentados.

“Estamos vendo uma redução de 35 por cento no consumo diário de proteínas entre jogadores de 10 a 15 anos de idade”, disse Arnaldo Machado, consultor médico do Detroit Tigers residente em Caracas. “E a situação nutricional é muito pior para crianças de seis anos e mais novas”.

Milhões de venezuelanos vêm enfrentando dificuldades para se alimentar devidamente nos últimos anos devido à inflação de três dígitos e à escassez acentuada de produtos básicos como carne, leite e farinha.

O presidente Nicolás Maduro culpa uma “guerra econômica” liderada pelos EUA, mas críticos dizem que suas políticas são a causa do caos econômico e social.

Existem cerca de 100 academias de beisebol particulares de destaque na Venezuela, que é o segundo país estrangeiro mais representado na Major League Baseball dos EUA, com 76 jogadores, só atrás da República Dominicana e bem à frente da antiga potência regional Cuba.

As crianças sortudas o suficiente para entrar nas escolas recebem seis refeições por dia, aprendem inglês e têm aulas de anatomia e fisiologia. Eles contam até com atendimento psicológico para que estejam preparados se e quando assinarem com uma grande equipe.

Devido à estagnação econômica e à alta criminalidade, só quatro times da MLB --Chicago Cubs, Tampa Bay Rays, Philadelphia Phillies e Detroit Tigers-- ainda operam instalações de treinamento na Venezuela, contra 18 em 2000.

Reportagem adicional de Andreina Aponte

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below