1 de Setembro de 2017 / às 23:07 / em 3 meses

Sem citar Temer, Janot chama Rocha Loures de intermediário do "líder da organização criminosa"

BRASÍLIA (Reuters) - Sem mencionar o presidente Michel Temer, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou em manifestação encaminhada ao STF que o ex-deputado e ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures era um “intermediário do líder da organização criminosa” e disse ainda que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha era “um dos mandantes do esquema espúrio”.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot 27/06/2017 REUTERS/Adriano Machado

“Como se vê, não há identidade ou similaridade relevante entre circunstâncias fáticas que fundamentaram as prisões preventivas de Rodrigo Rocha Loures e Eduardo Cunha”, disse Janot.

“Enquanto um deles era um intermediário do líder da organização criminosa, o requerente era virtualmente um dos mandantes do esquema espúrio, ao qual coube, por anos, articular diversas pessoas nos mais variados níveis do Estado para instrumentalizar a máquina pública no atendimento de interesses privados. Sua periculosidade é tamanha que, mesmo preso, ainda intimida grandes empresários e agentes políticos destacados, incluindo o Presidente da República”, acrescentou.

O comentário do procurador-geral é mais uma indicação de que deverá denunciar novamente Temer ao Supremo Tribunal Federal antes de deixar o cargo, no dia 17 de setembro.

Janot manifestou-se contrariamente ao pedido da defesa de Cunha para estender a ele a liberdade concedida a Rocha Loures. No texto, de 29 páginas, o procurador-geral afirmou que não há qualquer relação entre as condutas praticadas pelos dois a fim de justificar tal decisão.

Para o chefe do Ministério Público Federal, Rocha Loures era “mero mandatário” de outro agente enquanto a participação de Cunha no esquema criminoso era muito mais relevante. Segundo ele, o PMDB montou uma organização criminosa, da qual Cunha era “um dos mais importantes atores”, a ponto de instrumentalizar a presidência da Câmara para a “reiterada prática de crimes”.

“Nesse sentido, a participação do requerente nos aparatos ilícitos (ao menos parcialmente) desarticulados por meio da ‘Operação Patmos’ é significativamente mais gravosa que a de Rodrigo Rocha Loures”, disse Janot, ao comentar que Cunha usava principalmente sua capacidade de influenciar os colegas da Câmara para a prática de cometer delitos “de toda sorte”.

Para manter o ex-presidente da Câmara na cadeia --ele já foi condenado pela operação Lava Jato--, Janot reforçou ainda que, mesmo com prisão preventiva também decretada na operação deflagrada a partir da delação de executivos da J&F, foi insuficiente para coibir a atividade delinquente dele.

“Nesse período, não só recebeu valores indevidos como se articulou com outros membros da organização criminosa --em particular Lúcio Bolonha Funaro-- para obstar e criar embaraços às investigações em curso”, destacou Janot.

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