5 de Setembro de 2017 / às 20:14 / em 2 meses

Maia diz que é preciso votar reforma da Previdência sem enxugar proposta

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta terça-feira a necessidade de se aprovar a reforma da Previdência sem enxugar o texto aprovado pela comissão especial da Câmara.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 05/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

“É ruim começar já entregando o paletó”, disse Maia a jornalistas, ao criticar a tese de que é preciso fazer novas concessões para que a reforma seja aprovada.

“Tem que tomar cuidado com essa ideia de reforma mais enxuta. É muito difícil mexer no texto da comissão, porque todas as partes têm conexões. Já se perdeu 25 a 30 por cento do ajuste previsto na PEC original”, afirmou.

Alguns parlamentares defendem que o governo aprove uma reforma fatiada. Dentro do Palácio do Planalto, a intenção é manter o texto como está, mas já se admite ceder por enquanto em algumas partes, desde que não se mexa na reforma dos servidores públicos e na idade mínima de 65 anos para os homens e 62 anos para mulheres.

Maia, que ocupa a Presidência da República interinamente devido à viagem do presidente Michel Temer à China, disse que vai continuar trabalhando no convencimento dos líderes partidários de que a reforma da Previdência não vai tirar votos de ninguém em 2018.

“Estou trabalhando para que se consiga comprometer os líderes e mostrar que a reforma da Previdência não vai tirar voto de ninguém”, disse Maia no Palácio do Planalto logo depois da assinatura do acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro.

Uma das preocupações dos parlamentares é o momento para colocar a reforma em plenário. Quanto mais perto de 2018, ano eleitoral, menos animados com a ideia se tornam os deputados da base.

Antes do surgimento da denúncia contra o presidente Michel Temer, o governo ainda não tinha os 308 votos necessários para aprovação, mas perdeu ainda mais depois da denúncia. Parlamentares da base calculam hoje em 230 apenas.

Além disso, o governo atrasou ainda mais a retomada da renegociação. Desde a metade de maio, quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou a denúncia contra Temer, até o início de agosto, quando os parlamentares impediram seu prosseguimento, todos os esforços do Palácio do Planalto se concentraram no tema.

Agora, o esforço do governo é para aprovar o pacote de medidas fiscais. Fontes do governo confirmaram à Reuters que, mais uma vez, a negociação da Previdência ficou em segundo plano.

Para Maia, no entanto, a reforma não é uma vontade do governo, é uma necessidade.

“O custo da reforma da Previdência hoje é muito menor do que daqui a dois ou três anos. Nunca se conseguiu fazer a reforma correta. Hoje é o último momento em que o pedágio é todo mundo trabalhar mais um pouco. No futuro, se não avançarmos agora, o único caminho será cortar aposentadorias”, afirmou.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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