6 de Setembro de 2017 / às 18:16 / em 3 meses

Após divulgação de áudio, Fux sugere a Janot que peça prisão de Joesley e executivo da J&F

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux sugeriu nesta quarta-feira ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que peça a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F, na primeira sessão do plenário do STF após a revelação do áudio de uma conversa entre os dois no qual mencionam ministros da corte e que também teriam omitido crimes na delação premiada.

Luiz Fux durante sessão do TSE em Brasília 8/6/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

“Eu deixo ao alvedrio do Ministério Público a opção de fazer com que esses participantes da cadeia criminosa que passassem do exílio nova-iorquino ao exílio da Papuda”, disse Fux, numa referência a uma penitenciária de Brasília que tem servido de prisão de políticos e poderosos envolvidos em escândalos de corrupção.

Os executivos da J&F conseguiram a imunidade penal como resultado do acordo de delação premiada. Contudo, Janot ameaça revisar os benefícios concedidos após o áudio indicar que parte deles teriam omitido crimes nas tratativas do acordo.

Antes do início da sessão de julgamento, Luiz Fux fez uma enfática crítica aos colaboradores do áudio que foi difundido de forma “transparente” pelo procurador-geral da República. Sem citá-los nominalmente, ele se referia a Joesley e Saud.

“Eles ludibriaram o Ministério Público, degradaram a imagem do país no plano internacional, humilharam a Justiça e revelaram a arrogância dos criminosos do colarinho branco”, disse o ministro do STF.

Janot, presente à sessão, não pediu a palavra para se manifestar.

Primeiro a se manifestar na abertura da reunião, o ministro Celso de Mello, o mais antigo em atividade na corte, defendeu que não pode pairar “qualquer dúvida” que seja sobre a honra dos integrantes do Supremo. Ele elogiou a iniciativa da presidente do STF, Cármen Lúcia, de cobrar na véspera, em pronunciamento, uma investigação imediata dos fatos divulgados na gravação.

“As graves insinuações que tansparecem dos diálogos mantidos entre os agentes colaboradores mostram-se impregnadas de elementos que, se não forem esclarecidos, culminarão a expor injustamente esta corte e os magistrados que a integram”, afirmou o decano do STF.

Reportagem de Ricardo Brito

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