15 de Setembro de 2017 / às 13:38 / em um mês

Eletrobras vai assumir prejuízos para vender distribuidoras no Norte e Nordeste, diz fonte

SÃO PAULO (Reuters) - A Eletrobras não conseguirá levantar recursos com a pretendida venda de suas seis distribuidoras de eletricidade que atuam no Norte e Nordeste, como também deverá assumir prejuízos para viabilizar a privatização dessas controladas, disse à Reuters uma fonte do governo com conhecimento do assunto.

Linhas de energia conectando torres de eletricidade de alta tensão, em Brasília 31/08/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Devido à precária situação financeira das empresas, que são fortemente deficitárias, o governo deve até mesmo desistir da ideia de arrecadar recursos para o Tesouro com a cobrança de um bônus de outorga na privatização dos ativos, acrescentou a fonte.

O Ministério de Minas e Energia pretende seguir recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de realizar leilões dessas concessões de distribuição em um modelo em que ganhará a disputa o investidor que aceitar assumir a empresa com o menor aumento de tarifas.

“Todas serão vendidas nesse modelo...o processo de venda vai ser feito por quem oferecer a menor reposição tarifária”, disse a fonte, que falou sob a condição de anonimato.

O governo anunciou em agosto que pretende desestatizar a holding Eletrobras até o fim do primeiro semestre de 2018, mas as distribuidoras devem ser vendidas em separado ainda neste ano.

A Aneel tem avaliado a possibilidade de autorizar aumentos de cerca de 10 por cento na tarifa das distribuidoras da Eletrobras antes da privatização.

No leilão das empresas, ganharia quem aceitasse assumir a operação com o menor aumento de tarifa dentro desse limite pré-estabelecido.

“A Eletrobras vai sair disso perdendo, é claro, não tem como ser diferente. Vai ter que ajustar prejuízos. Mas isso era esperado, o mercado sabe disso”, disse a fonte.

ATRAEM INTERESSE

O novo modelo estudado para as distribuidoras da Eletrobras, com uma elevação das tarifas antes da privatização, foi bem recebido pelos investidores que têm avaliado possível participação no negócio, segundo a fonte, que participa das conversas.

“Tem interesse, muito...com essa mudança, as empresas ganharam atratividade adicional”, disse a fonte.

Elétricas como a Equatorial Energia, a italiana Enel e a Neoenergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdola, estão entre as que avaliam os ativos até o momento, segundo a fonte, que listou ainda como potenciais interessados grupos financeiros, fundos e a elétrica Energisa. “São muitos players que estão olhando”, disse a fonte.

As distribuidoras da Eletrobras são responsáveis pelo fornecimento em Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima.

As empresas Eletrobras, Equatorial, Enel e Neoenergia não comentaram imediatamente as informações.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below