April 6, 2018 / 11:29 AM / in 4 months

Ex-líder sul-africano Zuma declara inocência após comparecer a tribunal

DURBAN, África do Sul (Reuters) - O ex-presidente sul-africano Jacob Zuma compareceu a um tribunal nesta sexta-feira para enfrentar acusações de corrupção relacionadas a um acordo de compra de armas de 2,5 bilhões de dólares, dizendo a uma multidão mais tarde que sua inocência será comprovada no caso já antigo que ressurgiu após sua queda.

Ex-presidente da África do Sul Jacob Zuma faz pronunciamento a partidários do lado de fora de tribunal em Durban 06/04/2018 REUTERS/Rogan Ward

A transição de Zuma de “senhor presidente” para “acusado número um” em menos de dois meses é um contratempo significativo para o político de 75 anos, cujos nove anos no poder foram marcados pela estagnação econômica e por rebaixamentos nas avaliações de crédito do país.

Ele é alvo de 16 acusações, incluindo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro.

Durante uma aparição que durou menos de 15 minutos, os procuradores do Estado e os advogados de Zuma pediram à Alta Corte de Durban para suspender o caso até 8 de junho para que os dois lados possam preparar seus argumentos, pedido acatado pelo juiz Themba Sishi.

Um possível julgamento pode exigir vários meses adicionais de preparação.

Mais tarde Zuma disse a milhares de apoiadores do lado de fora do tribunal de Durban que seus adversários estão contando mentiras e que o Judiciário e os políticos acreditam que ele não tem direitos.

“A verdade virá à tona. O que eu fiz?”, disse Zuma à multidão exultante, falando em zulu em sua província de Kwa-Zulu Natal.

“Sou inocente até prova em contrário.”

Zuma nega qualquer irregularidade e está questionando a abertura de um processo, um acontecimento dramático em um continente no qual líderes políticos raramente são responsabilizados por suas ações perante a lei.

A rapidez com que os procuradores agendaram sua aparição diante da corte é um sinal da perda de controle sofrida por Zuma desde que seu sucessor, Cyril Ramaphosa, se tornou o líder do partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) em dezembro.

Zuma, que jamais perdeu a habilidade de animar uma multidão com danças e cantos tradicionais, ainda conserva algum apoio popular, especialmente em território zulu.

Policiais da tropa de choque se enfileiraram na praça diante do tribunal, onde milhares de apoiadores de Zuma se reuniram para expressar sua solidariedade a um líder que dizem ser vítima de uma caça às bruxas com motivação política.

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