June 7, 2018 / 2:24 PM / 4 months ago

Venezuelanos recorrem a teatros improvisados para refletir sobre realidade nacional

Por Angus Berwick e Andreina Aponte

Atores durante encenação de peça em teatro improvisado de Caracas 02/06/2018 REUTERS/Marco Bello

CARACAS (Reuters) - Um manifestante venezuelano mascarado agoniza em uma rua de Caracas, baleado no peito por um soldado que percebe, horrorizado, que matou seu irmão mais novo.

Poderia ser um episódio dos protestos ocorridos na Venezuela no ano passado sobre uma das cerca de 125 pessoas que morreram durante meses de tumultos que provocaram confrontos diários entre manifestantes e forças de segurança.

Mas é uma cena que centenas de venezuelanos vêm pagando para assistir diariamente em um teatro improvisado em um antigo salão de bingo, como parte de uma onda de novas produções que refletem a crise política e o colapso econômico do país.

Em todas as noites dos últimos dois meses, o outrora glamoroso shopping center Tamanaco foi o palco de diretores locais que montaram peças recorrentes de 15 minutos em 30 “micro-teatros” com espaço para várias dezenas de espectadores apertados e sentados a uma distância de um braço do elenco.

Em “Alan”, Francisco Aguana, de 27 anos, interpreta o manifestante assassinado e narra sua infância com o irmão Alejandro, que considera um herói por tê-lo defendido das agressões de colegas de escola e de um padrasto abusivo.

Depois que Alejandro vai servir o Exército, sua mãe adoece, mas Alan não consegue encontrar os remédios que ela precisa, por isso vai às ruas expressar sua revolta.

Aguana contou que ele mesmo se juntou aos centenas de milhares de compatriotas que passaram meses protestando contra o governo do presidente Nicolás Maduro, que opositores acusam de ser uma ditadura.

“Mas honestamente sinto que o protesto mais poderoso é aqui, apresentando esta peça”, disse pouco antes da primeira apresentação da noite.

Algumas das peças no Tamanaco tratam de realidades apavorantes, como os sequestros a mão armada e a fome nas favelas, e as comédias fazem graça das dificuldades cotidianas.

Em “Entre”, a plateia se espreme em um espaço apertado e suado que imita o sistema de metrô decadente de Caracas. Os atores se misturam ao público interpretando os encrenqueiros típicos dos trens, como um ladrão de celulares e um bêbado falastrão.

Em outro micro-teatro decorado para se parecer a uma das prisões controladas por gangues, líderes criminosos fazem uma competição de dança debochada para escolher o chefe cantando “somos os reis deste país” e exibindo pistolas e facas.

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